Fotografia: Robert Surtees
Montagem: Stuart Gilmore
Música Original: Cy Coleman
Direção Artística: Alexander Golitzen e George C. Webb
Cenários: Jack D. Moore
Estreia nos EUA: 1969, Abril 1
Estreia em Portugal: 1970, Janeiro 22

CAST:
Shirley MacLaine … Charity Hope Valentine
John McMartin … Oscar Lindquist
Ricardo Montalban … Vittorio Vitale
Chita Rivera ... Nickie
Paula Kelly ... Helene
Sammy Davis Jr. ... Big Daddy
Stuby Kaye … Herman
Barbara Bouchet … Ursula
Alan Hewitt … Nicholsby
Suzanne Charney … Lead frug dancer
Dante Di Paolo … Charlie
Ben Vereen ... Frug dancer
etc.

«Adoro o cinema - acho que foi uma paixão que começou quando vi pela primeira vez um filme, qualquer coisa parecida com uma fita de Tarzan. Não vejo limites para as possibilidades do cinema, à excepção dos limites do espírito do realizador. Também acho que fui durante toda a minha vida um pintor frustrado. A câmara permitiu-me finalmente a hipótese de fazer um pouco de pintura. Realizei "SWEET CHARITY" com base mais na minha ignorância do que na minha coragem.»
O fascínio das "possibilidades do cinema" e o fascínio pela "pintura com a câmara" são constantes óbvias do cinema de Bob Fosse. Neste inovador filme Fosse fragmenta os números musicais, quer multiplicando as interferências dos processos mecânicos do cinema (paralíticos, encadeados, zooms, etc.) quer coreografando os ângulos de câmara e o que a câmara apanha, mais do que coreografando bailarinos.

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Os exemplos poderiam multiplicar-se, mas basta chamar a atenção para números como "My Personal Property", "If My Friends Could See Me Now" e "I'm A Brass Brand", em que os problemas de transição espacial e temporal dentro do mesmo número são eliminados com o recurso ao jump-cut, recurso que permite a Fosse mostrar Shirley MacLaine a dançar em sucessivos espaços não relacionados, dando a cada número um movimento que a dança de MacLaine, pouco apta nesse campo, não lhe poderia dar. Aliás, quando não é obrigada a dançar, Shirley MacLaine é perfeita no seu papel de anti-Cinderela, uma composição tocante e comovente na sua honestidade e ingenuidade sem limites. E se um dia me perguntarem o que é uma actriz, responderei citando a cena do Registo Civil, em que Shirley vai trauteando a Marcha Nupcial enquanto Oscar diz que não pode casar com ela.
(M.S. Fonseca).

Bob (Louis) Fosse (1927 – 1987), coreógrafo e realizador americano nascido em Chicago de mãe irlandesa e pai norueguês (foi o último dos seis fllhos do casal), tentou o Cinema logo no início dos anos 50, com a ambição de se vir a tornar num novo Fred Astaire. Depois de algumas aparições como actor, chega a coreografar dois musicais (“The Pajama Game”, em 1954 e, no ano seguinte, “Damn Yankees”), antes de se mudar, com certa relutância, para a Broadway. É aqui que desenvolve os seus dotes de coreógrafo, incluindo “Sweet Charity”, em 1966, peça que o traria de novo ao mundo do cinema dois anos depois. Quando "Sweet Charity" se estreou, sonhou-se com o renascimento do musical como género. É evidente que tal não aconteceu: o género não renasceu e provavelmente nunca mais renascerá - questão que se prende menos com a aparição de génios individuais do que com as estruturas de produção do cinema americano a partir da década de 60 - mas "Sweet Charity" representou um momento de inegável frescura, que hoje em dia ainda se mantém.

Em 23 de Setembro de 1987 Bob Fosse encontrava-se em Washington, onde uma nova produção de “Sweet Charity” iria subir à cena no National Theater. À hora de início do espectáculo, por volta das 7 da tarde, Bob sofreu um ataque de coração no seu quarto do Hotel Willard. Levado de urgência para o hospital, viria a falecer algumas horas depois. Tinha 60 anos.

Como já vem sendo hábito, quem quiser o DVD do filme terá de o mandar vir de fora, pois infelizmente nunca foi editado cá pelo burgo. Esta edição PAL é facilmente encontrada em qualquer loja da net e por um preço muito acessível. Inclusivé traz legendas em português e diversos bonus, incluindo o final alternativo que Fosse filmou na altura, receando que a Universal não gostasse do original. Pelos vistos gostou, e foi pena. Porque este outro final, apesar de ser um “happy ending”, não o é de modo taxativo. E, por outro lado, é muito mais condizente com o tom geral do filme. Confesso que aquele grupinho “hippie” do final original sempre me soou um pouco a falso e uma cedência aos costumes da época.

Entretanto aqui fica a banda sonora original do filme













































































