«Começámos em 1967 como muitos outros grupos iniciam as suas carreiras musicais; tocando em festas de amigos, bailes de finalistas, arraiais e festivais de música. Na época, tocávamos versões dos Beatles, Rolling Stones, Procol Harum, Moody Blues e outros, já sob a direção artística de Fernando Matos que, desde logo, nos incutiu a apetência da improvisação musical, deixando de lado a cópia absoluta. Os discos eram considerados “artigo de luxo” e editados muito mais tarde, depois de terem saído em Inglaterra ou Estados Unidos. Por isso mesmo, as nossas primeiras gravações foram êxitos de outras bandas. Mas, já no nosso primeiro EP, incluímos um original de Tozé Brito, “You’ll See”. No primeiro album, também a originalidade nos levou a fazer arranjos de música clássica, “Jesus, Alegria dos Homens” de J. S. Bach. Nesta fase, Tozé Brito e David Ferreira abandonam o grupo dando lugar a Miguel Graça Moura.
Nesta história existe um facto, que merece ser revelado e que tem a ver com a música mais mediática dos Pop Five Music Incorporated: O “Page One” nasceu de uma secção rítmica (bateria e baixo), em que o Tozé Brito também colaborou na sua criação. Este êxito foi o indicativo do programa de rádio mais escutado na época, “Página Um”, de José Manuel Nunes. Este single foi editado em vários países europeus e não só, com a particularidade de na Alemanha terem colocado no lado A o arranjo da música clássica de J. S. Bach, “Ária Para a 4ª Corda”.
Tudo isto levou a editora “Orfeu”, de Arnaldo Trindade, a contratar o grupo para gravar nos estúdios da Pye, em Londres. Estávamos em Janeiro de 1971, ano do 1º Festival de Vilar de Mouros, em que fomos cabeça de cartaz ao lado de Elton John e dos Manfred Mann. Como referência, convém assinalar que os primeiros discos foram gravados em duas (2) pistas, nos estúdios da R.T.P. do Monte da Virgem, no Porto, enquanto que em Londres colocaram à nossa disposição 16 pistas o que, na altura, era o máximo disponível tecnicamente. Destas gravações foram editados vários singles, que saíram espaçadamente até finais de 1972, ano em que Os Pop Five Music Incorporated acabaram.» (Álvaro Manuel Cunha Azevedo, Novembro de 2003)






5 comments:
Os POP FIVE hoje em dia ouvem-se muito bem, nem que seja por uma questão de nostalgia. Mas na altura não eram lá muito bem vistos, pelo menos pela crítica. No "Mundo da Canção" nº 21, de 20 de Agosto de 1971, e a propósito da actuação do grupo no Festival de Vilar de Mouros, pode ler-se: «nada de novo num grupo que já nos tinha decepcionado quando do famigerado festival da Guarda. Pobreza inventiva, execução medíocre. Um grupo longe de se encontrar.» Resta dizer que a crónica ("Vilar de Mouros - a constatação de uma incultura musical")é assinada por Tito Lívio. Relativamente aos muitos conjuntos portugueses que actuaram no Festival, este escriba considera "Os Celos" (nunca ouvi falar!) do piorio e o "Objectivo" o melhor conjunto português.
Pois é, essa de "cabeça de cartaz" ao lado do Elton John e Manfred Mann (esses sim) serve apenas para "enfiar a carapuça" aos mais incautos. Dos grupos portugueses presentes naquele Festival, o único que poderia ter direito a esse destaque seria o Quarteto 1111. E mesmo assim...
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carlosg24@fibertel.com.ar
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mariusmario1@hotmail.com
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