Quarta-feira, Novembro 26, 2008

THE BEAT OF THE POPS 24


Sábado, Novembro 22, 2008

BRAVO! BRAVO! BRAVO!

Original Released on LP EMI - STUDIO 2 (1969)
Este magnífico album instrumental tem dois pormenores curiosos. Em primeiro lugar a produção é de George Martin (a meias com John Burgess). Mas a grande surpresa é o tema de abertura: nada mais nada menos do que um inédito de Lennon/McCartney chamado "THINGUMYBOB"! Nunca tinha ouvido falar em tal coisa, e foi essa a razão que me levou a comprar este album. Mas dei o dinheiro bem gasto por tudo o resto - grandes temas da época soberbamente interpretados por esta Original Brasso Band. Uma delícia!

Sexta-feira, Novembro 21, 2008

CLIFF SINGS

Original Released on LP Columbia 33SX 1192 (1959/11)
(Ripped and remastered from the original vinyl)

Quinta-feira, Novembro 20, 2008

PETER YARROW FIRST ALBUM

Original Released on LP WB K 46150 (1972)

Depois do lendário trio “Peter, Paul & Mary” ter acabado em 1970, começaram naturalmente a aparecer os primeiros albuns a solo dos elementos do grupo. Mary Travers foi a primeira, com “Mary” (1971); seguiu-se Paul, “Paul And”, lançado no mesmo ano, e em 1972 foi a vez de Peter, com este belissimo album que uma alma generosa fez chegar às mãos do vosso amigo Rato. Tanto quanto sei esta pérola nunca foi editada em CD, mas todos vós têm agora a oportunidade de o ouvir, através de uma magnífica remasterização. Trata-se de um album folk, como seria de esperar, repleto de magníficas canções. Transcrevem-se as notas de algumas dessas canções, da autoria do próprio Peter Yarrow e que vêm impressas no interior da capa gatefold:

“Goodbye Josh” – a eulogy to Josh White, blues folksinger who encouraged me in the beginning

“Plato’s Song” – from a love poem written by Plato, circa 4th century B.C.

“Greenwood” – now there was following him a great crowd of the people, and of women, who were bewailing and lamenting him. But Jesus turning to them said: «Daughters of Jerusalem, do not weep for me, but weep for yourselves and your children. For behold, days are coming in which men will say ‘Blessed are the barren and the wombs that nrver bore, and breasts that never nursed.’ Then they will say to the mountains, ‘Fail on us!’ and to the hills, ‘Cover us!” For if they do these things in the green wood, what will happen in the dry?» Luke 23: 26-32

Terça-feira, Novembro 18, 2008

IT WAS 40 YEARS AGO...!


O “White Album”, ou mais correctamente, o duplo “The Beatles”, foi durante 10 meses o meu album preferido. Depois veio o “Abbey Road” e destronou-o. Até hoje. Mas a verdade é que os dois sempre ocuparam os dois lugares cimeiros das minhas preferências pessoais. Há 40 anos!
É pois com alegria (e também com alguma nostalgia à mistura – que diabo, tinha apenas 15 anos na altura) que vejo, um pouco por todo o lado, comemorações do 40º aniversário do lançamento desta obra-prima dos Beatles. Esse aniversário cumpre-se já neste próximo sábado, dia 22 de Novembro de 2008, e só por um triz é que não voltou a calhar numa sexta-feira, dia da semana em que o album foi posto à venda em Inglaterra em 1968. Não quis portanto deixar passar a ocasião, até porque sempre preferi escrever sobre as coisas de que mais gosto. E este é um dos meus “amores” mais antigos.

Recuemos até ao Verão de 67: a morte de Brian Epstein, em 27 de Agosto desse ano, veio abanar o mundo dos Beatles. Habituados, desde o início, a que toda a burocracia fosse gerida pelo seu empresário, os Beatles viram-se assim, de um momento para o outro, obrigados a desempenharem outras tarefas para além de comporem e interpretarem as suas canções. De imediato as coisas começaram a dar para o torto, até porque eles próprios se aperceberam logo de que não tinham jeito nem feitio para gerirem o que quer que fosse.

O passo seguinte foi uma fuga em debandada, bem para longe de Inglaterra e das suas novas responsabilidades. E em Fevereiro de 68 encontravam-se já todos na Índia, em Rishikesh, retiro espiritual do Maharishi Mahesh Yogi, o guru que em 1967 os tinha iniciado na meditação transcendental. Evidentemente que os quatro Beatles não se encontravam sózinhos, à volta deles gravitava sempre uma troupe de amigos e namoradas. Mia Farrow e a irmã, Prudence, encontravam-se lá; Donovan e Mike Love (dos Beach Boys) também; Pattie Boyd (na altura ainda mrs. Harrison), e ainda Jane Asher e Cynthia Lennon, apesar das suas relações com Paul e John estarem perto do fim.


Lennon e McCartney rapidamente reencontraram o prazer de escrever e em poucas semanas perto de 40 novas canções viram a luz do dia. John Lennon reconheceria mais tarde ter sido este um dos seus períodos mais criativos. No entanto, a convivência diária com o Maharishi depressa trouxe a realidade ao de cima e os Beatles sofreram mais um rude golpe nas suas convicções: afinal o guru revelara-se uma autêntica fraude. O regresso a Inglaterra foi pois inevitável: primeiro Ringo, depois Paul, e finalmente George e John.

No início de Maio reuniram-se os quatro na residência de George em Esher, onde começaram a ensaiar as novas canções, após uma selecção de um total de 26. Paul contribuiu com sete, Harrison com cinco e Lennon com catorze!
As gravações do novo album iniciaram-se a 30 de Maio de 68 e prolongar-se-iam até 14 de Outubro. Maioritariamente os estúdios usados foram como habitualmente os de Abbey Road, mas houve sessões que decorreram nos Trident Studios. O título inicialmente pensado foi o de “A Doll’s House”, mas o lançamento do album “Music in a Doll’s House” pelo grupo Family fez gorar tal intenção.

Entretanto o stress começou a fazer parte integrante do dia-a-dia, originando cada vez mais tensões entre os elementos do grupo. Para tal muito contribuiu na altura o lançamento da Apple Records (como se disse acima os Beatles revelaram-se péssimos homens de negócios), bem como a entrada em cena de Yoko Ono, a nova paixão de Lennon, cuja presença constante nos estúdios de gravação começou a irritar os outros três Beatles, chegando Ringo a abandonar as gravações por um período de 15 dias. Felizmente que Lennon lhe enalteceu o ego, ao enviar um telegrama (também assinado por Paul e George) apelidando-o do “melhor baterista do mundo”, e o bom do Ringo lá regressou ao trabalho. Não a tempo de tocar no “Back In The U.S.S.R.” (tema entretanto já gravado, em que Paul fez de Ringo na bateria) mas ainda para ter a oportunidade de ver os estúdios repletos de flores a darem-lhe as boas vindas pelo regresso a casa.

Todo este clima de mal-estar acabou por reflectir-se nas gravações, preterindo o génio do grupo a favor dos talentos individuais. Poucas foram as canções que contaram com o contributo conjunto dos 4 Beatles. A maior parte dos temas iam sendo gravados ao sabor das circunstâncias e quase sempre por partes. Tudo isto resultou num complexo trabalho de montagem final, a ponto de George Martin ter decidido não produzir mais nenhum album dos Fab 4.

Além disso, tentou ainda que a edição final fosse um album simples e não duplo, para o que propôs o corte de muitos dos temas já gravados. Felizmente que tal sugestão não foi aceite – contra todas as expectativas o primeiro e único album duplo dos Beatles não se revelou a “manta de retalhos” por todos temida, mas sim um “objecto” único que consegui retirar todo o seu potencial da grande variedade reinante. Como mais tarde afirmou McCartney, em resposta aos que sempre tentaram extrair o album “perfeito” do conjunto dos trinta temas finais,
«Shut up! It’s the bloody Beatles White Album!»

“The Beatles” foi o primeiro album da nova editora Apple (a estreia tinha acontecido em 30 de Agosto com o single “Hey Jude / Revolution”, Apple R5722) e o último do grupo a ser editado em versões mono (Apple PMC 7067-8) e stereo (PCS 7067-8). Exceptuou-se a faixa “Revolution 9” que apenas foi gravada em stereo. As duas versões apresentam diferenças de pormenor em muitos dos temas presentes, tendo sido editadas simultâneamente em Inglaterra a 22 de Novembro de 1968, uma sexta-feira. Nos EUA sómente apareceu a versão stereo (Apple SWBO 101), na segunda-feira seguinte, já que por essa altura os americanos estavam a abandonar em definitivo as gravações em mono.

Em contraste com a complexa capa do album anterior (“Sgt. Pepper’s), da autoria de Peter Blake, “The Beatles” apresentar-se-ia ao mundo quase “sem mácula”, virginal. O autor de tal ousadia foi o artista pop Richard Hamilton, que na primeira vez que se encontrou com Paul McCartney em Savile Row, esteve quase para abandonar o projecto. Com efeito, a primeira reacção de Paul à ideia de uma capa totalmente branca foi a de que “isso não podia ser feito”. Hamilton replicou que ele, Paul McCartney, pertencia aos Beatles e que os Beatles podiam fazer tudo o que quisessem.

Logo a seguir sugeriu-lhe a ideia do nº de série, de modo a que o album parecesse uma edição limitada. Mas esse nº teria de ter 7 dígitos, de modo a abranger os 8 milhões de cópias que se previam vender (os quatro primeiros números ficaram, claro, para cada um dos Beatles, e só depois é que as cópias começaram a ser vendidas ao público. Neste momento preciso em que escrevo, a edição nº 5 encontra-se a leilão no Ebay até domingo, dia 23. A licitação actual já ultrapassou as 7.000 libras. Quem tiver algum dinheirito disponível e quiser participar...). Apesar de gostar da ideia Paul queria ainda que algo mais fosse acrescentado na capa, ou o nome do grupo ou o nome do album.


Hamilton ainda sugeriu a marca de uma chávena de café, mas Paul acabou por levar a sua avante com a inclusão de “The Beatles” se bem que apenas com os caracteres em relevo. O insert interior, do tamanho de 6 albuns, e com as letras das canções no verso, foi ainda uma colagem de fotografias da autoria de Hamilton com a colaboração periódica de Paul. Finalmente adicionaram-se as 4 fotografias do Beatles a cores (da autoria do fotógrafo John Kelley) e o invólucro ficou pronto a receber os dois discos de vinil. No interior da capa gatefold apenas a lista dos temas do lado esquerdo e as mesmas 4 fotografias (agora a preto e branco) do lado direito. Para variar os discos seriam introduzidos (em capas pretas) “por cima” e não “de lado”, como até então era usual.

No número de Outubro da revista Blitz, o meu querido amigo Luís Pinheiro de Almeida faz algumas considerações sobre o album, dizendo que em Portugal passou mais ou menos despercebido. Não foi felizmente o caso em Moçambique, onde, por influência directa da vizinha África do Sul, as novidades anglo-americanas apareciam normalmente em cima da hora e sempre muito bem publicitadas. Sobretudo tratando-se de um album dos Beatles. Assim sendo, o meu primeiro exemplar chegou-me ainda a tempo do Natal desse ano de 1968, em pleno Verão moçambicano.

Lembro-me ainda da autêntica festa que foi descobrir pela primeira vez todas aquelas canções – durante semanas a fio não se ouviu outra coisa lá por casa. As 4 fotografias saltaram de imediato para as paredes do meu sótão (que nessa altura constituía o meu domínio exclusivo, reservado apenas aos amigos do peito) e por lá ficaram, enquadradas por molduras em esferovite. O poster manteve-se fechado, devido à existência das letras no verso (naquela altura as palavras dos Beatles, quer em entrevistas quer através das letras das suas canções constituíam uma autêntica bíblia de sabedoria para nós, miúdos).

As vicissitudes da vida levaram-me mais tarde a ter de deixar a minha terra-mãe e nesse rápido abandono por lá ficou a grande parte dos meus tesouros de menino. O album branco dos Beatles foi um deles. Mais tarde, já em Portugal, adquiri logo que pude uma re-edição, que no entanto nunca me satisfez. Depois, no 30º aniversário, comprei a edição especial em CD (réplica perfeita), mas só muito recentemente, via Ebay, é que consegui ter de novo nas mãos uma primeira edição original.
Obrigado, Bill Gates, pela tua internet!
Entretanto, e provavelmente, ainda voltarei a comprar de novo este mítico album. É que finalmente se anuncia, já para 2009, a tão aguardada remasterização de toda a obra dos Beatles. Daqui a um ano, mais coisa menos coisa, a ansiedade já deve ter tomado conta de todos os fans por esse mundo fora.

ALGUMAS NOTAS SOBRE AS FAIXAS DO ALBUM:

1.A.1 – BACK IN THE U.S.S.R. (Lennon/McCartney) 2:45
Uma das mais avassaladoras aberturas de sempre de um album de rock, feita ao som da aterragem de um avião a jacto. O tema esteve para se chamar “I’m Backing The U.S.S.R.” e é uma homenagem de Paul ao tema “Back In The U.S.A.” de Chuck Berry, que lhe foi sugerida por Mike Love durante a estadia em Rishikesh.

1.A.2 – DEAR PRUDENCE (Lennon/McCartney) 4:00
Canção escrita por John Lennon para Prudence Farrow (a irmã mais nova de Mia Farrow) que no retiro espiritual em Rishikesh teria sido uma das pessoas a levar mais a sério a experiência, a ponto de se trancar dias a fio nos seus aposentos. A sua relutância em conviver com as outras pessoas originou portanto este “convite” de Lennon: «Dear Prudence, won’t you come out to play?». Na verdade parece que a Prudence acedeu finalmente a mostrar-se, acabando por se dar muito bem com os quatro Beatles.

1.A.3 – GLASS ONION (Lennon/McCartney) 2:10
Numa época caracterizada por importantes movimentos sócio-culturais, Os Beatles eram considerados quase como profetas desses tempos. E era rara a canção que não era passada a pente fino pelos fans, sempre à procura de simbologias ou mensagens escondidas. Um pouco cansado já de todas essas interpretações, Lennon compôs “Glass Onion” como que uma resposta humorística a todos esses Sherlock Holmes das músicas dos Beatles. Além de citar alguns dos temas mais estranhos já gravados pelo grupo, John introduziu ainda outras frases dúbias para alimentar propositadamente todos esses jogos mentais: «looking through the bent backed tulips», «another clue for you all, the walrus was Paul» ou «trying to make a dove-tail joint» são exemplos dessas pequenas provocações.
Originariamente a canção acabava com uma série de efeitos sonoros (que podem ser ouvidos na Antologia 3) mas depois George Martin preferiu acabá-la apenas com um som de cordas.


1.A.4 – OB-LA-DI, OB-LA DA (Lennon/McCartney) 3:10
Paul ouviu pela primeira vez esta expressão a um amigo nigeriano chamado Jimmy Scott que lhe explicou o respectivo significado: “Life goes on”. Da expressão à composição de uma canção foi um pequeno passo. Considerada por vezes como um dos primeiros exemplos de “reggae branco”, “Ob-La-Di, Ob-La-Da” esteve para ser lançada em single, como Paul queria. Mas tanto George como John se opuseram, sobretudo este último, que sempre detestou a composição. Diz-se até que a melodia era para soar um pouco mais lenta; mas que, no dia da gravação John, para a “despachar” rapidamente, resolveu acelerar um pouco logo à entrada, quando começou a tocar as teclas do piano. O efeito mais rápido agradou aos outros que acordaram em a gravar dessa maneira. Jimmy Scott chegou a participar nas gravações tocando congas e mais tarde Paul deu-lhe parte dos direitos de autor, só por causa da apropriação da expressão. Como que a comprovar que a razão estava do lado de Paul, a canção foi na altura um enorme sucesso pelo grupo Marmalade que a gravou em single (1º lugar em Inglaterra, a 11 e 18 de Janeiro de 1969).

1.A.5 – WILD HONEY PIE (Lennon/McCartney) 1:02
Faixa gravada unicamente por Paul, que toca uma série de guitarras e bateria. Nenhum dos outros Beatles esteve sequer presente. O tema, semi-instrumental, é o texto mais curto e mais repetitivo de toda a obra do quarteto. E só foi incluído no disco porque Pattie Boyd Harrison gostava daquilo e Paul lhe fez a vontade. Onde se prova que até um Beatle não é imune ao sexo fraco (forte)...

1.A.6 – THE CONTINUING STORY OF BUNGALOW BILL
(Lennon/ McCartney) 3:05
Canção escrita por Lennon que se inspirou num personagem real, Richard Cooke III, um jovem estudante americano que se encontrava também em Rishikesh. Um dia participou numa caçada ao tigre, acompanhado pela mãe, Nancy, que foi atacada pelo felino. Richard não teve outro remédio senão matar o animal para salvar a vida à progenitora. De regresso ao retiro, o episódio enfureceu o Maharishi que não aceitava que um discípulo seu tivesse cometido tal atrocidade. O sermão foi presenciado por John e Paul e a ideia da canção nasceu. O nome do personagem foi inspirado por Buffalo Bill e pelos bungalows onde os convidados do Maharishi se encontravam alojados. Richard Cooke III foi depois fotógrafo da National Geographic (e pensa-se que nunca mais matou nenhum tigre na vida). Este tema foi o primeiro dos dois únicos temas dos Beatles (o outro foi o “Birthday”) a ter coros femininos (Yoko Ono e Maureen Starkey).

1.A.7 – WHILE MY GUITAR GENTLY WEEPS (Harrison) 4:46
Primeira grande contribuição de George Harrison para o “White Album”. A génese da canção é no mínimo curiosa. O livro preferido de George na altura era o “I Ching” (um livro chinês sobre transformações) e, influenciado por ele, resolveu fazer uma pequena experiência: escrever uma composição a partir das primeiras palavras que lesse num livro escolhido ao acaso. Foi à biblioteca da casa dos pais, em Lencashire, pegou num livro, abriu-o e leu – “gently weeps”. E pôs-se a escrever.
Depois de várias tentativas para gravar a canção (mais de 40 takes, entre Julho e Setembro), George continuava a não gostar de se ouvir no solo de guitarra, Um dia Eric Clapton deu-lhe boleia de Surrey para Londres e George lembrou-se de pedir ajuda ao amigo. Relutante ao princípio, por achar que ninguém deveria tocar com Os Beatles, Clapton acabou por se deixar convencer. Calmamente, acompanhou George ao estúdio, executou o solo sem grandes alaridos numa guitarra Gibson Les Paul e foi-se embora. E assim nasceu uma obra-prima.


1.A.8 – HAPPINESS IS A WARM GUN (Lennon/McCartney) 2:47
Uma canção em três tempos, resultante da junção de outros tantos temas que Lennon tinha composto na altura e inspirada na capa de uma revista que ele viu nas mãos de George Martin e onde se podia ler: “Happiness is a warm gun in your hand”. Parte dos versos (estranhos mas surpreendentemente apelativos) surgiram depois de uma noitada de LSD que Lennon partilhou com Derek Taylor, Neill Aspinall e Pete Shoton. Anos mais tarde McCartney considerou-a a sua canção preferida de todo o album e Lennon chegou a descrevê-la como a “história do Rock ‘n’ Roll”. Hoje, quarenta anos depois, continua actual e a encantar sucessivas gerações de fans dos Beatles.

1.B.1 – MARTHA MY DEAR (Lennon/McCartney) 2:28
Apesar de Martha ser o nome da cadela de dois anos que Paul tinha na altura a canção não lhe é dedicada, mas sim a alguém que parece ter sido sempre a musa inspiradora de McCartney. Não era Jane Asher, cuja relação estava a chegar ao fim nem Linda Eastman, com quem Paul já namorava quando o tema foi gravado em Outubro de 68.
A composição tem certas reminiscências dos anos 30, de cujos musicais Paul era grande apreciador.


1.B.2 – I’M SO TIRED (Lennon/McCartney) 2:01
O título desta canção corresponde efectivamente ao cansaço que John começava a sentir depois de três semanas passadas em Rishikesh, onde diariamente assistia a sessões de grupo com cerca de hora e meia de duração. Esse cansaço era físico mas sobretudo mental. A Academia de meditação proibia o alcool e as drogas e John sentia-lhes cada vez mais a falta, a ponto de começar a ter insónias todas as noites. Depois era Yoko que não lhe saía do pensamento (Cynthia veio a descobrir que o marido se levantava sempre muito cedo para ir ver se tinha alguma mensagem da japonesa). Ou seja, John encontrava-se numa encruzilhada crucial e sentia que tinha de dar um novo sentido à sua vida (o que na verdade veio mesmo a acontecer).

1.B.3 – BLACKBIRD (Lennon/McCartney) 2:20
Paul sempre disse que as suas melhores canções eram aquelas que lhe surgiam espontâneamente. “Blackbird” é sem dúvida uma dessas canções: simples, melódica, é uma espécie de “Yesterday” sem secção de cordas. Paul gravou-a sózinho, apenas com uma guitarra acústica, a que posteriormente adicionou uns bongos. Onde se prova, uma vez mais, que a simplicidade é a marca principal do génio.

1.B.4 – PIGGIES (Harrison) 2:04
Segunda contribuição de Harrison, este tema é “dedicado” a todos os gananciosos que sempre procuraram ganhar dinheiro à custa dos Beatles (por uma vez a palavra ‘piggies’ não é aqui usada, como usualmente, para designar a polícia). Foi uma das canções invocadas mais tarde por Charles Manson que o teriam inspirado para as carnificinas de Agosto de 69, levadas a cabo em várias residências de Los Angeles, a mais célebre das quais pertencente a Roman Polanski, e onde a sua mulher, Sharon Tate, foi uma das vítimas (encontrava-se grávida na altura). A frase “Death To Pigs” apareceu escrita a sangue nas paredes da divisão onde os crimes foram cometidos.

1.B.5 – ROCKY RACOON (Lennon/McCartney) 3:33
Uma história do Oeste selvagem inventada por Paul: «Quando escrevi esta canção estava sentado, juntamente com John e Donovan, no telhado de um dos bungalows de Rishikesh. Pusémo-nos os três a improvisar e tudo saíu muito facilmente. O título original era para ser Rocky Sassoon, mas depois alterámo-lo para Rocky Racoon que soava melhor, tratando-se de um cowboy a viver em Dakota.»

1.B.6 – DON’T PASS ME BY (Starkey) 3:52
Única canção de Ringo em todo o album, escrita cinco anos antes, em 1963. Nessa altura, num programa da BBC, Ringo mencionou-a, tendo inclusivé solicitado publicamente a sua inclusão num album dos Beatles. A “revelação” de que Ringo tinha uma canção só sua foi na altura motivo de risota dos outros Beatles que não levaram aquilo muito a sério. No entanto a canção existia mesmo e foi a estreia de Ringo como autor principal em toda a discografia dos Beatles. Até ali tinha-se limitado a colaborações pontuais, em temas como “A Hard Day’s Night”, “Eight Days A Week” ou “Tomorrow Never Knows”. Tirando o caso à parte do “Revolution 9”, pessoalmente acho este tema o mais fraco de todo o album.


1.B.7 – WHY DON’T YOU DO IT IN THE ROAD?
(Lennon/McCartney) 1:42
Mais um tema exclusivo de Paul, gravado a solo. Na discografia beatliana Paul sempre teve o epíteto do “melodioso”, em oposição a John que era considerado o “rocker”. Neste album existem algumas canções que parecem “trocadas”: esta e “Helter Skelter” são muito mais Lennon, enquanto que “Julia” ou “Good Night” soam mais a McCartney. Mas existia grande rivalidade entre os dois que adoravam surpreender-se mutuamente. “Why Don’t We Do It In The Road” teve mesmo o condão de irritar John que a apelidou de “very short, very rude, very rocking”. No íntimo estaria no entanto um pouco surpreendido que Paul tivesse composto algo no seu próprio estilo, como que lhe roubasse algo que por direito lhe pertenceria.

1.B.8 – I WILL (Lennon/McCartney) 1:46
Não chega a dois minutos mas é mais um dos grandes momentos de inspiração de Paul. Foi a primeira canção dedicada a Linda Eastman, que na altura já substituíra de vez Jane Asher no coração de Paul. No dia 16 de Setembro, quando o tema foi gravado (apenas com o acompanhamento de Ringo) foram precisos 67 takes para que Paul se desse por satisfeito com o resultado obtido.

1.B.9 – JULIA (Lennon/McCartney) 2:57
O fecho da primeira metade do “White Album” não poderia ter sido mais pungente: uma simples e maravilhosa canção que John dedicou à memória da mãe, falecida dez anos antes na sequência de um atropelamento mortal. No entanto o seu amor por Yoko também se encontra presente, nas palavras “ocean child” (a tradução inglesa para yoko é “child of the ocean”), como que a confessar-lhe que, para além de amante, também desejava que ela ocupasse aquele lugar especial, vazio há tanto tempo. Yoko chegou a colaborar na letra da canção, a qual foi gravada por John sózinho em estúdio, apenas com uma guitarra acústica - os acordes foram muito influenciados pela maneira de tocar de Donovan (que em Rishikesh ensinou algumas dessas técnicas ao Beatle).

2.A.1 – BIRTHDAY (Lennon/McCartney) 2:40
Trata-se do único tema do album que foi composto efectivamente a duo por Lennon e McCartney. O pretexto é que difere, conforme as fontes: umas dizem que foi um “presente” para Pattie, cujo aniversário ocorrera durante a estadia na India; mas outras, mais credíveis, afirmam que a canção foi já composta em Londres, nos próprios estúdios de Abbey Road, no dia 18 de Setembro, antecipando assim o 26º aniversário de Linda Eastman seis dias mais tarde (Paul sabia de antemão que ela estaria em Londres a tempo de festejar os anos com ele). Macca chegou esse dia mais cedo do que o costume aos estúdios e quando os outros apareceram, algumas horas depois, a música estava practicamente concluída. Nessa mesma tarde os Beatles foram a casa de Paul assistir pela televisão ao filme “The Girl can’t Help It” (1956) com Jayne Mansfield, e onde participavam diversos rockers: Fats Domino, Gene Vincent, Little Richard, Eddie Cochran e também os Platters. Inspirados por todos aqueles clássicos do Rock and Roll, os Beatles regressaram aos estúdios por volta das 11 da noite, escreveram o texto final e gravaram o tema. Yoko e Pattie participaram nos coros. Doze anos mais tarde, John Lennon diria sobre “Birthday”: «a good song to put in the trash».

2.A.2 – YER BLUES (Lennon/McCartney) 4:01
Uma das canções “desesperadas” de John, que tentava a todo o custo mudar de vida e partir noutra direção com Yoko. Musicalmente o tema inspira-se nos blues ingleses, tão em voga nesse final dos anos 60 (John Mayall diria ser uma paródia aos verdadeiros blues). John faz ainda uma referência a “Ballad of a Thin Man” de Dylan através de “Mr. Jones”, o personagem um tanto ou quanto estúpido dessa canção.
A gravação do tema reuniu de novo e apenas os instrumentos “clássicos” dos 4 Beatles: John na guitarra e vocais, Paul no baixo, George na guitarra e Ringo na bateria.


2.A.3 – MOTHER NATURE’S SON (Lennon/McCartney) 2:46
Durante a estadia em Rishikesh, e na sequência de uma palestra dada pelo Maharishi sobre a relação do homem com a natureza, tanto Paul como John escreveram canções alusivas a esse tema. A de Paul foi esta, a escolhida para figurar no album branco. Uma vez mais gravou-a sózinho, sem a presença dos outros três. John chegou a gravar uma maqueta da sua canção (“A Child of Nature”) em Maio de 68, mas os Beatles não a chegaram a gravar. Em 1971 viria a ser incluída no album “Imagine” com o nome de “Jealous Guy”.

2.A.4 – EVERYBODY’S GOT SOMETHING TO HIDE EXCEPT
ME AND MY MONKEY (Lennon/McCartney) 2:25
John escreveu este tema em resposta a um desenho que teria aparecido numa revista qualquer em que Yoko era visualizada como um macaco empoleirado nos ombros de Lennon a cravar-lhe as unhas nas costas, como que a retira-lhe o talento. A réplica de Lennon foi incisiva, como de costume: «Não temos nada a esconder. Yoko inspira-me, não me destrói a habilidade de escrever boas canções». Grande pedaço de puro rock and roll, o tema começa com as palavras com que inicialmente se deveria ter chamado: “Come On, Come On”. Foi gravada num ritmo mais lento e depois ligeiramente “acelerada” para dar ainda mais ênfase ao som extraordinário das guitarras e da própria voz de Lennon.

2.A.5 – SEXY SADIE (Lennon/McCartney) 3:15
Os Beatles deixaram Rishikesh profundamente desiludidos com o Maharishi. Afinal o homem não passava de um vulgar oportunista que apenas desejava retirar benesses (monetárias e mesmo sexuais) do convívio com o grupo e restantes convidados. John compôs então esta “Sexy Sadie” como pseudónimo para o guru, já que não podia usar directamente o seu nome devido a eventuais sanções legais: “Sexy Sadie, what have you done? You made a fool of everyone...”

2.A.6 – HELTER SKELTER (Lennon/McCartney) 4:30
O single “I Can See For Miles”, dos Who, saído em Outubro de 1967, teve uma crítica na revista Melody Maker onde se dizia, entre outras coisas, ser o tema de rock mais selvagem alguma vez feito. Paul leu essa crítica e nunca mais a esqueceu. Como os Beatles estavam sempre na vanguarda musical desses anos, Paul decidiu mostrar aos críticos o que a palavra “selvagem” significava realmente. E assim nasceu “Helter Skelter”, que rapidamente adquiriu o estatuto da música mais barulhenta de toda a discografia dos Beatles, quer a nível vocal (as vozes de Paul e de John explodem literalmente dos altifalantes) quer a nível instrumental (com as guitarras a percorrerem freneticamente toda a escala musical até o som se dissolver em feedbacks distorcidos). A gravação original durava, imagine-se, 25 minutos! Depois, claro, teve de ser encurtada para os 4 minutos e meio, finalizando com a exclamação do Ringo:
«I’ve Got Blisters On My Fingers!”
Este foi mais um dos temas do album invocados por Charles Manson como incentivo à matança de Los Angeles. Inclusivé, o procurador geral encarregue dos homicídios, Vincent Bugliosi, publicou mais tarde um livro onde relatava todo o inquérito. Deu-lhe o nome de “Helter Skelter”.

2.A.7 – LONG, LONG, LONG (Harrison) 3:08
Depois da tempestade só poderia vir a bonança. O lado 3 do album branco termina com esta calma canção de Harrison. Inspirada em “Sad Eyed Lady Of The Lowlands” de Dylan (album “Blonde On Blonde”, de 1966), “Long, Long, Long” é uma simples canção de amor de alguém que recuperou o seu ente amado. George revelou no entanto não ter tido qualquer inspiração terrena mas apenas espiritual. O que não admira, tendo sido ele o Beatle que primeiro se interessou pela religião oriental.

2.B.1 – REVOLUTION 1 (Lennon/McCartney) 4:13
E ao “Verão do Amor” de 67 seguiu-se a “Primavera da Revolução”. Em Março de 68 uma enorme manifestação teve lugar em Londres, frente à embaixada dos Estados Unidos, em Grosvenor Square, que terminou em violentos confrontos entre a polícia e os manifestantes. Dois meses depois foi o “Maio de 68” que eclodiu em Paris. John Lennon assistiu a todos esses acontecimentos pela televisão e resolveu também “participar”. Escreveu “Revolution” em casa, em Weybridge. Não era, longe disso, uma canção escrita por um revolucionário, apesar de Lennon ser o mais politizado dos Beatles e com ideias marcadamente de esquerda. Tratou-se antes de uma resposta de alguém a quem os grupos de jovens marxistas, leninistas ou trotskystas exigiam, constantemente, uma tomada de posição inequívoca. Para John a verdadeira revolução não passava pelos actos de violência de rua mas sim pela alteração das mentalidades.
A 1ª versão que foi gravada foi esta, mais lenta, e onde aparece o verso “Don’t you know you can count me out...in”, como que existisse ainda uma hesitação no espírito de Lennon sobre o caminho a seguir. Já na 2ª versão, mais rápida, e editada no lado B de “Hey Jude”, o verso é expurgado das reticências finais. Foi o suficiente para que a revista Time, triunfantemente, consagrasse um artigo inteiro à canção, dizendo que ela “criticava todos os extremismos do mundo”. Seguiu-se uma série de correspondência entre Lennon e os autores do artigo sobre o tema “violência e revolução” que, evidentemente, originaram vendas astronómicas da revista. John gravou a canção deitado no chão, com o microfone pendurado sobre a boca. Mais uma vez a duração total da canção (cerca de 10 minutos) teve de ser encurtada para a sua inclusão no album.

2.B.2 – HONEY PIE (Lennon/McCartney) 2:42
“... and now she’s hit the big time...”: Simples homenagem de Paul ao seu pai, Jim McCartney, e por extensão às músicas dos anos 20. A orquestração de George Martin é uma pequena maravilha, levando-nos a recuar no tempo, às grandes orquestras de salão.
Incompreensivelmente foi mais um dos temas do album branco que Charles Manson pensou ser-lhe dedicada. Mas quem é que consegue compreender as razões de um louco?


2.B.3 – SAVOY TRUFFLE (Harrison) 2:55
Quarta e última contribuição de George para o album, este tema não é mais do que uma alusão brincalhona à atração irresistível que Eric Clapton sentia por chocolates, a ponto disso lhe ter dado cabo dos dentes. Na letra aparecem referências a diferentes tipos de chocolate Good News, da Mackintosh: Creme Tangerine, Montelimart, Ginger Sling, e Coffee Dessert, além do próprio Savoy Truffle. Mas por exemplo Cherry Cream e Coconut Fudge foram inventados por George por necessidades de construção da canção.

2.B.4 – CRY BABY CRY (Lennon/McCartney) 2:34
John inspirou-se num anúncio publicitário que viu na televisão (“Cry baby cry, make your mother buy”) para compor esta canção, mas a música denota grande influência das canções que Donovan costumava escrever para crianças. A canção termina com uma pequena intervenção de Paul (“Can You Tack Me Back Where I Came From”), que serve de ligação ao tema seguinte.

2.B.5 – REVOLUTION 9 (Lennon/McCartney) 8:15
Há quem considere este tema o pior de toda a discografia dos Beatles. Não concordo. Primeiro porque não é um tema propriamente dito, depois porque nem sequer pode ser considerado pertencente aos Beatles. Trata-se, isso sim, de uma colagem de sons feita por John e Yoko que, já completamente inseparáveis, tentavam mostrar ao mundo todo o seu vanguardismo artístico. Recorreram aos arquivos da EMI, donde extrairam grande parte dos sons que aparecem na faixa, e cujas proveniências eram quase impossível de identificar, como por exemplo a voz de “number nine..., number nine...number nine…”. Mesmo assim ainda se conseguem ouvir algumas palavras ditas por John, Yoko, George ou Ringo. McCartney encontrava-se nos Estados Unidos quando o tema foi gravado e ficou furioso quando o mesmo foi incluido no album por decisão dos outros três Beatles.


2.B.6 – GOOD NIGHT (Lennon/McCartney) 3:14
“Good Night” é certamente o tema mais sentimental escrito por Lennon. Fê-lo como que uma canção de embalar para Julian, tal como doze anos depois escreveu “Beautiful Boy” para Sean. Pouco depois acontecia o divórcio de Cynthia é só muitos anos depois é que Julian soube que a canção lhe era dedicada. Tratando-se de um album duplo, e como a voz de Ringo tinha de aparecer também neste segundo disco, Lennon trauteou-lhe a canção para lhe mostrar como queria que ela soasse. Ringo cantou-a admiravelmente, acompanhado por uma orquestra de trinta elementos, incluindo harpa e coros.
Cerca de 94 minutos depois de um avião a jacto ter aterrado no prato do nosso gira-discos, “Good Night” mandava-nos a todos para a caminha ter belos sonhos…

No sentido de prestar tributo a um dos mais célebres albuns de toda a história do Rock, Rato Records resolveu reescrever tudo de novo, pegando em diversas versões espalhadas por outros albuns ou compilações e reunindo-as a todas neste duplo CD. Existem muitas outras interpretações feitas ao longo destes 40 anos, mas estas foram as escolhas possíveis. Espero que a seleção vos agrade.

Sábado, Novembro 15, 2008

B.S.O. ALMODÓVAR

Esta é uma banda-sonora das bandas-sonoras de Pedro Almodóvar - uma compilação dupla que percorre 16 filmes do realizador espanhol nascido a 24 de Setembro de 1949: desde "Laberinto de Pasiones" (1982) até "Volver" (2006). À semelhança de um Tarantino, Almodóvar sempre deu uma grande importância à música e às canções que ao longo dos anos foi introduzindo nos seus filmes. A escuta destes 29 temas são assim uma amostra do universo do seu cinema.
DISCO 1:
1. Tajabone (Ismaël Lo, 1996) -
"Todo Sobre Mi Madre"
2. Cucurrucucú Paloma (Caetano Veloso, 2002) -
"Hable Con Ella"
3. Luz de Luna (Chavela Vargas, 1991) -
"Kika"
4. Tonada de Luna Llena (Caetano Veloso, 1994) -
"La Flor de Mi Secreto"
5. Ne Me Quitte Pas (Maysa Mataraso, 1966) -
"La Ley del Deseo"
6. Lo Dudo (Los Panchos, 1953) -
"La Ley del Deseo"
7. Espérame en el Cielo (Mina, 1981) -
"Matador"
8. La Bien Pagá (Miguel de Molina, 1957) -
"Que He Hecho Yo Para Merecer Esto?"
9. Quizás, Quizás, Quizás (Sara Montiel, 1963) -
"La Mala Educación"
10. Soy Lo Prohibido (Olga Guillot, 1993) -
"Trailer Para Amantes de lo Prohibido"
11. Puro Teatro (La Lupe, 2006) -
"Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios"
12. Soy Infeliz (Lola Beltrán, 1969) -
"Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios"
13. Por Toda a Minha Vida (Elis Regina e António Carlos Jobim, 1974) -
"Hable Con Ella"
14. La Cumparsita (Xavier Cugat, 1946) -
"Kika"
15. Las Espigadoras (F. Delta, 1962) -
"Volver"
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DISCO 2:
1. Un Año De Amor (Luz Casal, 1991) -
"Tacones Lejanos"
2. Piensa en Mi (Luz Casal, 1991) -
"Tacones Lejanos"
3. En el Último Trago (Chavela Vargas, 1994) -
"La Flor de mi Secreto"
4. Encadenados (Lucho Gatica, 1989) -
"Entre Tiniebles"
5. Sufre Como Yo (Albert Pla, 1995) -
"Carne Tremula"
6. A Good Thing (Saint Etienne, 2005) -
"Volver"
7. Gran Ganga (Almodóvar & McNamara, 1982) -
"Laberinto de Pasiones"
8. Where Is My Man (Eartha Kitt, 1983) -
"Trailer Para Amantes de lo Prohibido"
9. Resistiré (Dúo Dinámico, 1988) -
"Átame"
10. Volver (Estrella Morente, 2006) -
"Volver"
11. El Rosario de mi Madre (Duquende con Manzanita, 1999) -
"Carne Tremula"
12. Se Nos Rompió el Amor (Bernanda y Fernanda de Utrera, 1990) -
"Kika"
13. Voy (Bambino, 1967) -
"Trailer Para Amantes de lo Prohibido"
14. Cuando Nadie Te Quiera (Bambino, 1964) -
"Trailer Para Amantes de lo Prohibido"

Quinta-feira, Novembro 13, 2008

BACK TO THE FIFTIES 12


Sábado, Novembro 08, 2008

EP Verve EPV 5048 (US, 1957)

RICK NELSON:
"A TEENAGER'S ROMANCE"
Inicialmente foi editado um single, o 1º single do Rick Nelson, com os temas “I’m Walkin’” e “A Teenager’s Romance”. Mas naquela sessão de gravação de 26 de Março de 1957, realizada entre as 19.00 e as 22.30, na Master Recorders, 535 Fairfax Avenue, Hollywood, California, foi ainda gravado mais um tema, “You’re My One And Only Love”. Dado o grande sucesso do single, a editora resolveu “alargá-lo” para um EP. Como só tinham aqueles três temas resolveram completar o disquinho com um instrumental, “Honey Rock”, fabricado pelo produtor Barney Kessel, que tinha produzido os outros temas. A mesma editora, Verve, lança simultâneamente um LP intitulado “Teen Time”, com vários artistas e onde incluem também os citados três temas.
Entretanto Rick muda de editora assinando contrato com a Imperial Records, a qual pretende adicionar ao seu catálogo os primeiros temas interpretados pela sua nova estrela. Cria-se deste modo um diferendo, só resolvido em tribunal a favor da Imperial Records. Resultado: a Verve viu-se obrigada a retirar do mercado tanto o EP como o LP, além de ter sido obrigada a pagar uma choruda indemnização à Imperial e ao próprio Rick Nelson.
Este EP, cujas capas aqui reproduzidas foram gentilmente cedidas pelo Daniel Bacelar, é portanto um autêntico collector’s item, do qual existem muito poucos exemplares em todo o mundo.

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

BACK TO THE FIFTIES 11


Terça-feira, Novembro 04, 2008

"THE MISFITS / OS INADAPTADOS" (EUA, 1961)


FICHA TÉCNICA:
Produção: Frank E. Taylor
Realização: John Huston
Argumento: Arthur Miller
Cinematografia: Russell Metty
Montagem: George Tomasini
Música Original: Alex North
Direção Artística: Stephen B. Grimes e Bill Newberry
Cenários: Frank McKelvy

Estreia nos EUA a 1 de Fevereiro de 1961
*
CAST:
Clark Gable
… Gay Langland
Marilyn Monroe … Roslyn Taber
Montgomery Clift … Perce Howland
Thelma Ritter … Isabelle Steers
Eli Wallach … Guido
etc.


Qualquer realizador ambiciona criar pelo menos um clássico durante a sua carreira – um filme que aguente o teste do tempo e seja visto e revisto por sucessivas gerações de cinéfilos. Outros, menos ambiciosos, já se contentam em, por algum motivo, conseguirem gerar um cult-movie – uma espécie de filme B, que também aguenta o passar dos anos, mas cujas qualidades só são reconhecidas por uma pequena minoria.
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Na minha opinião John Huston conseguiu ambas as coisas com este belissimo filme, rodado logo no início da década de sessenta. Para além de um clássico e de um filme de culto, “The Misfits / Os Inadaptados” é um filme-charneira, pois de certo modo simboliza o fim do “studio system” de Hollywood. Realizado à parte da indústria fílmica, em completa liberdade, o filme define ainda o “fim da linha” para as carreiras de Clark Gable e Marilyn Monroe. Marilyn ainda haveria de participar na rodagem de mais um filme (“Something Got To Give”) mas a sua morte prematura aos 36 anos (a 5 de Agosto de 1962), impediria o filme de ser finalizado e abrir-lhe-ia as portas da lenda e da eternidade.

Clark Gable encontraria essas mesmas portas ainda mais cedo, logo a seguir à conclusão da rodagem de “The Misfits / Os Inadaptados”. Faleceu a 16 de Novembro de 1960, na sequência de um ataque cardíaco. O final das filmagens trouxe-lhe um temporário alívio (“Working with Marilyn Monroe on The Misfits nearly gave me a heart attack. I have never been happier when a film ended”), apesar de reconhecer a grande qualidade das interpretações, quer a de Marilyn (“Everything Marilyn does is different from any other woman, strange and exciting, from the way she talks to the way she uses that magnificent torso.”) quer a sua própria (“This is the best picture I have made, and it's the only time I've been able to act.”)
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Outro grande actor que marca este mítico filme, Montgomery Clift, entraria num acelerado processo de decadência física e profissional, tendo falecido prematuramente a 23 de Julho de 1966, apenas com 45 anos. Marilyn diria dele: "the only person I know who is in worse shape than I am."
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Por uma vez os tradutores portugueses achariam um título adequado para o filme: “Os Inadaptados” (no Brasil seriam “Os Desajustados”). Efectivamente é de inadaptação que aqui se trata. Inadaptação a um novo modo de vida que começa, encerrando um tempo de glória. Esse tempo de glória, outrora tão repleto de tradições, encontra-se agora agonizante, cercado pelo conformismo e pela apatia. Tenta-se ainda, num derradeiro esforço, alcançar a felicidade. Mas esta teima em fugir, diluindo-se na imensidão de um deserto, algures no Nevada. A perseguição aos cavalos rapidamente se revela incongruente e desnecessária para quem conserva ainda a ilusão da possibilidade dessa felicidade. E é essa descoberta que tanto nos emociona naquele epílogo – a liberdade é essencial para quem deseja ainda ser feliz. O plano final, de Roslyn e Gay é disso revelador:
Roslyn: How do you find your way back in the dark?
Gay: Just head for that big star straight on.
The highway's under it. It'll take us right home.
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Com argumento de Arthur Miller, então ainda casado com Marilyn (o divórcio oficial viria a 20 de Janeiro de 1961, apesar de se terem separado imediatamente após o final da rodagem) e filmado poeticamente por um inspirado John Huston (que seria nomeado para o prémio “Directors Guilde of America”), “The Misfits / Os Inadaptados” tem o seu epílogo, como vimos antes, numa longa e dramática sequência no deserto do Nevada onde a estrela Marilyn brilha intensamente sobre tudo e todos.

Não tanto pela explosão de revolta (“Killers! Murders! You liars! All of you liars! You're only happy when you can see something die! Why don't you kil yourself to be happy! You and your God's country! Freedom! I am not kidding you, you're three sweet damned men!) mas sobretudo pelas mil e uma matizes que conferem ao seu rosto algo de hipnótico e fascinante.
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São diversos os grandes-planos desse maravilhoso rosto, mas vale a pena rever várias vezes um deles (felizmente o DVD permite-nos isso), segundos após a libertação do potro selvagem e em que as palavras “Go Home…Go” são proferidas. Essas três palavras, ditas por aquela boca, naquela face, dá-nos, por breves momentos, toda a magia do Cinema.Resplandescente ao longo de todo o filme, não será exagero afirmar que esta sua interpretação será talvez o ponto mais alto de toda a sua curta carreira, apesar de grandes e maravilhosos desempenhos em filmes anteriores.

As imagens da rodagem do filme correram mundo. Obtidas pelos prestigiados fotógrafos da Magnum num ambiente verdadeiramente mítico, impuseram a agência como um grupo de artistas capazes de dar a ver o mundo do cinema para lá das suas imagens promocionais. Os nove fotógrafos, sete homens e duas mulheres, tudo registaram de forma púdica ou indiscreta, fria ou apaixonadamente - Henri Cartier-Bresson, Cornell Capa, Ernst Hass, Bruce Davidson, Erich Hartmann, Dennis Stock, Elliott Erwitt, os homens; Eve Arnold e Inge Morath, as mulheres.
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Fizeram centenas de fotografias que correram e correm mundo, e que o ano passado tivemos o privilégio de poder ver numa exposição em Lisboa. Aconselha-se ainda o livro “Magnum Cinema” onde, para além dos “Misfits” se podem apreciar fotografias de dezenas de outros filmes.Transcreve-se de seguida um texto da autoria de Inge Morath (1923 > 2002), responsável pela agência e com quem Arthur Miller se viria a casar:

«Havia cavalos selvagens, as paisagens do Nevada, John Huston e ainda, claro, três actores excepcionais, Clark Gable, Marilyn Monroe e Montgomery Clift. Não podíamos imaginar que eles iriam morrer tão depressa. Sentíamos que havia algo de grandioso. Esperávamos um filme notável, não sabíamos que se ia tornar mítico.

Esta filmagem interessou-me desde o início. Tinha lido na revista Esquire a história de Arthur Miller que serviu de base ao guião. Já tinha trabalhado com Huston, e Monty Clift era um amigo. A Magnum tinha feito um acordo de exclusividade com Frank Taylor, o produtor do filme. Então, por turnos de dois, sucedemo-nos no plateau. Não ficávamos lá mais que duas semanas, para manter a frescura do olhar.

Eu formava equipa com Cartier-Bresson. Compreendíamo-nos muito bem e o que era maravilhoso é que nem precisávamos de falar um com o outro. Trabalhávamos juntos e tínhamos sempre a certeza de não fazer nunca a mesma coisa. Havia nesta filmagem uma liberdade que já não existe nos dias de hoje. Portanto, desde que os nossos olhos e pernas fossem suficientemente rápidos, podíamos fotografar tudo o que quiséssemos.

Uma das maiores angústias da produção era saber se Marilyn vinha à rodagem ou não. Quando ela chegava ao plateau, entrava verdadeiramente em cena. Quando o deixava, desaparecia completamente e mais ninguém a via. Trabalhava sempre para a sua imagem. Eu tentava conseguir fotografias em que ela não estivesse em pose. Mexia-se de uma maneira que atraía automaticamente os olhos do fotógrafo.

Clark Gable era muito divertido. Enquanto estava à espera da Marilyn, contava-nos a história dos seus começos no cinema. Um dia, no plateau, disse-lhe que não tinha visto o que acabara de fazer. Ele respondeu-me que tinha usado os olhos para representar. E era verdade, principalmente nas últimas cenas, as que se passam no automóvel.

Conheci Arthur Miller na rodagem, mas só o descobri de verdade depois da ruptura com Marilyn. Trabalhei em muitos outros filmes depois daquele, mas nunca voltei a encontrar aquele ambiente especialíssimo, aquela alquimia particular, devido à unidade artística imposta por Huston no plateau, e que afectava tanto os actores, como os técnicos e os fotógrafos.»

Sábado, Novembro 01, 2008

WALTER CARLOS: SWITCH-ON BACH 68