Nesse mesmo Verão a realidade tomava o lugar do sonho e a 20 de Julho o Homem pisava pela primeira vez solo lunar. Cerca de um mês depois, numas termas portuguesas, dois desconhecidos olhavam-se também pela primeira vez e descobriam o Primeiro Amor (o tal que, segundo os entendidos, é suposto durar toda uma vida). Ele tinha 16 anos, ela 14. O encontro foi breve. E pouco tempo depois a distância intrometeu-se, só lhes permitindo palavras escritas como consolo.
Entretanto Garfunkel, regressado do Mexico, teve a grata surpresa de Simon insistir que a voz em Bridge fosse exclusivamente a sua. Assim foi e Art gravou o tema sózinho - as duas primeiras estrófes em Nova Iorque, a terceira em Los Angeles - isto porque de início a canção era para ter apenas duas partes, com uma letra completamente diferente. A extensão ficou a dever-se à insistência de Garfunkel e também do produtor Roy Halee. Consta que mais tarde Paul se arrependeu desse gesto altruísta devido ao grande êxito alcançado pela canção - nada menos do que 5 Grammys: melhor gravação, melhor canção, melhor arranjo, melhor engenharia de som e melhor canção contemporânea. Haveria ainda mais um Grammy para o album, justamente considerado o melhor de 1970.
Quando o single e o album homónimo saíram nos princípios de 1970, aquele romance de férias ganhou novo alento e a canção tornou-se rapidamente num dos seus laços mais fortes: «porque não páro de ouvir “Bridge Over Troubled Water” e porque me vêm as lágrimas aos olhos quando o faço? Porque desejo tanto ver-te, falar-te, estar a teu lado, não em pensamentos, mas na realidade?»
E depois de uma longa espera, o re-encontro tão ansiado aconteceu enfim: «pusémos o Bridge a tocar e começámos a dançar, ternamente, muito juntos, experimentando um mundo de sensações que nos estavam proibidas há tanto tempo! E depois foi o meu primeiro beijo, o nosso primeiro beijo, e não sei descrever a beleza e a maravilha que sentimos. Nessa tarde só essa música tocou no gira-discos e por incrível que pareça nunca nos cansámos de a ouvir. Passámos o resto do dia assim, meio adormecidos, meio acordados...»
Mas uma vez mais a separação voltou a acontecer, só que então com carácter definitivo: «partíamos com as mãos docemente amarradas e os corações estoirando uma alegria breve, quando a noite descia apaixonada como o longo beijo da nossa despedida»
(O tempo passou. Apenas o tempo. E mais outro tempo também)
Existem amores, vagos e fugidios, que duram apenas três dias. Mas há outros, raros e preciosos, que o tempo e a saudade alimentam e que duram toda a vida.
Foi um regresso breve, transitório.
Como de costume o tempo voltou a passar. Apenas o tempo.
When you're weary


































