Domingo, Junho 29, 2008

F. HARDY: "Ma Jeunesse Fout Le Camp..."

Édition Originale LP Vogue CLD 720
(FRANCE, 1967)

EP VOGUE EPL 8566 (FR, 1967)

FRANÇOISE HARDY
"Voilà"

Sábado, Junho 28, 2008

"Ruas da minha cidade, janelas do meu olhar..."

«Eis a costa do sangue. Aqui nasci, e ouvi cantar os homens. Com eles aprendi a cantar e a sofrer, aprendi o amor e a justiça. Com eles aprendi o verdadeiro nome de todas as coisas. Através deles, pude ver o negro focinho do lobo tingido de sangue. E vi o falcão devorar as entranhas da gaivota.
Era pequeno, lembro-me, e neste lugar o sangue rompia, de súbito, por detrás de tudo, como uma violenta e rápida tempestade de Maio. Então, os homens juntavam-se ou dispersavam, furiosos e ameaçadores, às vezes tristemente calados, com uma doce coragem feita de resignação magoada.
Com estes homens, aqui, na costa do sangue, aprendi a cantar. Depois vi-os morrer. E os seus nomes guardei-os.
Como um vinho. Uma lição.
Por isso o meu canto é um recado.
Por isso o meu nome é uma canção.»
(Joaquim Pessoa)
E uma vez mais o poema se fez canção. A seguir a “Amor Combate”, em 1976, Carlos Mendes volta a musicar a poesia de Joaquim Pessoa um ano depois, e novamente com excelentes resultados. Apesar da maioria dos textos possuirem já na sua origem toda uma musicalidade que os proporcionavam a ser cantados, o trabalho de Carlos Mendes é magnífico, pela sensibilidade muito especial com que revestiu todos os poemas escolhidos.

Lisboa constitui-se como referência primeira deste album incontornável, quer como personagem central (“Lisboa Meu Amor” / “ Ruas de Lisboa”) quer como pano de fundo a outras histórias (como o operário do “Monólogo” que depois de banhos na Caparica vai à Luz ver o Benfica ou como essa “Amélia dos Olhos Doces”, grávida de esperança, do Bairro da Lata do Cais do Sodré, que tem um gosto de flor na boca e na pele e na roupa perfumes de França). De referir também a presença dos belissimos “Nocturno” e “No Silêncio da Espera”, dois dos poemas de amor mais conhecidos de Joaquim Pessoa.

Gravado por José Manuel Fortes nos estúdios da Rádio Triunfo em Lisboa e editado em 1977 (a crítica distinguiu-o como o Melhor Album do Ano) pela cooperativa de música “Toma Lá Disco”, “Canções de Ex-Cravo e Malviver” tem arranjos e direcção musical de Pedro Osório e a participação de excelentes músicos e intérpretes (ver ficha técnica). O facto de em mais de trinta anos não ter conhecido qualquer edição em CD (mais uma lesa-cultura entre tantas outras) apenas torna mais oportuna a sua apresentação aqui, no blog do vosso amigo Rato, que a partir do vinil original (obrigado, Hugo!) conseguiu obter esta notável digitalização.

Sexta-feira, Junho 27, 2008

THE BEAT OF THE POPS 22


Quarta-feira, Junho 25, 2008

"She's My Lady Of The Stars..."

DONOVAN (DONOVAN, 1977)
Original Releases on LP:
US (August 1977): Arista AB 4143
UK (October 1977): Rak SRAK 528


This is an attempted comeback album, again produced by Mickie Most, with Donovan abandoning the dreamy folk-rock he usually offered for slick studio pop. The idea followed a chance meeting between the two men. «We just decided that maybe we could do an LP together, but the difference this time was I worked with session musicians in the studio which was something I had never done before,» Donovan says. «In fact it was an experience quite new for us both – neither of us are used to working with live bands. I’m quite happy with the results although the album does seem to be going down better in Europe than in the US.»
This is the fourteenth studio album from the Scottish singer and the songs are rather interesting, featuring a “new” sound for Donovan’s fans. The track order here is the one of the original US release (in the UK the album was presented with a different one).

Sábado, Junho 21, 2008

RATO'S NOSTALGIA COLLECTION 49


Sexta-feira, Junho 20, 2008

RATO'S NOSTALGIA COLLECTION 48


Domingo, Junho 01, 2008

"A princípio é simples, anda-se sózinho..."

A Sassetti, que integrava a etiqueta Guilda da Música onde tinha lançado os seus quatro primeiros albuns, estava longe de, em 1977, responder aos desejos de Sérgio Godinho, então com uma carreira que crescia em solidez e popularidade. Entre a concorrência, na altura, a Arnaldo Trindade era, a par da Valentim de Carvalho, quem tinha o maior acervo de artistas portugueses, o maior catálogo. Para lá gravavam, então, nomes como os de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Fausto ou Vitorino, aos quais a partir daquele ano se juntou o nome de Sérgio Godinho.
Primeiro trabalho, portanto, a ser editado pela Orfeu da Arnaldo Trindade, em Maio de 1978, “Pano Cru”, o quinto album de originais do Sérgio é ainda hoje, trinta anos depois (!), o meu favorito entre todos. Com um som de Moreno Pinto em que os graves, predominantes, conferiam logo desde a primeira faixa (“...muito boa noite, senhoras e senhores...”) um impacto sonoro de grande profundidade, “Pano Cru” concretiza os sinais de mudança indiciados no trabalho anterior. É um album-charneira na discografia de Sérgio Godinho que contém dez temas de grande qualidade. Como se costumava dizer, no tempo do vinil, um album em que só era necessário levantar a agulha para mudar de lado.
Um desses temas, “O primeiro dia”, tornou-se numa espécie de cartão de visita, e ainda hoje é apontado como um dos mais evidentes temas de referência da sua obra (talvez apenas suplantado, uns anos mais tarde, pelo também emblemático “Com um brilhozinho nos olhos”). Em Janeiro de 2000, numa lista de «Canções Portuguesas do Século», segundo os leitores do DN, a canção surgiu em terceiro lugar, logo depois de “Povo que lavas no rio” por Amália Rodrigues e “Grândola vila morena” de José Afonso. «”Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida” é uma frase que me é naturalmente atribuída, mas o que é irónico é que nem sequer é minha», lembra Sérgio Godinho - «existia desde há muito e eu, aliás, faço questão de assumir isso na canção: “...e vem-nos à memória uma frase batida...”. É uma canção que fala da regeneração dos afectos e das forças numa situação de ruptura. Poderá ser o final de um amor, ou ter interpretações mais latas, o final de um qualquer ciclo.»

Anos mais tarde, em 1995, Sérgio Godinho interpretou ao vivo uma versão italiana traduzida por ocasião da atribuição do prestigiado Prémio Tenco, entregue por um evento anual de grande projecção em Itália, a Rassegna Della Canzone d’Autore. Uma preciosa raridade em disco, “Roba di Amilcare”, esta versão encontra-se apenas editada no país de origem do certame.
«“O galo é o dono dos ovos” é uma canção que tem muita carpintaria. Procurei ser conciso a nível das metáforas, algo que aprendi com tipos como o Brassens, mais tarde o Chico Buarque. Gosto que uma canção seja bem carpinteirada, o que não impede que não tenha depois surpresa, irreverência, desvarios, e de repente uns pregos de fora.»
“Pano Cru” tem, como habitualmente, a presença de grandes músicos: Pedro Osório (piano, acordeão), Carlos Zíngaro (violino, cavaquinho), Paulo Godinho (baixo) e Guilherme Scarpa (bateria), para além do próprio Sérgio (viola) e de algumas outras colaborações esporádicas, como Carlinhos Tumbadoura (ferrinhos) ou Armindo Neves (viola-solo em “Feiticeira”). Nos coros destaque-se o suporte de Fausto, Shila e Eugénia Melo e Castro.
A capa do disco surpreendeu então muita gente. «Era uma fotografia retocada à mão pelo gráfico Zé Brandão, e a foto de dentro uma brincadeira durante a sessão de estúdio, que serviu também para quebrar qualquer imagem mais séria. Era preciso, nessa altura...» Em Espanha o album conheceu edição, todavia com capa diferente e título traduzido para espanhol: “Retor”. «Foi uma iniciativa simpática, mas que não teve repercussão nenhuma. Para mim, e para três ou quatro espanhóis, é apenas um objecto de colecção.» Aliás raríssimo, difícil de encontrar nas feiras do disco que correm a Península Ibérica.
"... E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida."

JOSÉ ALMADA AO VIVO

Na passada sexta-feira, dia 30 de Maio, José Almada deu um recital numa casa de espectáculos de Ovar. Foi o regresso ao contacto com o seu público, mais de 30 anos depois de ter gravado em disco as suas belissimas canções. Aqui vos direcciono para uma excelente evocação desse(s) momento(s), onde o meu amigo José Forte diz tudo, ou quase tudo sobre esse acontecimento.