Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

AGNÈS JAOUI CANTA!

Agnès Jaoui, a stressante Camille Lalande de “On Connait La Chanson” é uma autêntica caixinha de surpresas. Para além do seu trabalho como actriz em cerca de vinte filmes e argumentista em meia dúzia deles, brindou-nos com uma excelente estreia como realizadora em “Le Goût des Autres / O Gosto dos Outros” aqui há uns anos atrás.
Agora, a multi-facetada esposa de Jean-Pierre Bacri (o hipocondríaco Nicolas de “On Connait La Chanson”) resolveu maravilhar-nos também com a sua quente e bela voz.
Editado em Dezembro de 2006 (chegou a ser apresentado ao vivo em Lisboa, no Instituto Franco-Português, em 19 de Março de 2007), este CD é todo ele cantado em castelhano, exceptuando-se 3 temas em português: um fado (de Armandinho e Lídia Jorge) em que Jaoui partilha a interpretação com a portuguesa Mísia (“Fado do Retorno”) e dois temas brasileiros: “Samba em Prelúdio” (Baden Powell e Vinicius de Moraes) a duo com Maria Bethània e, a fechar, “O Meu Amor” (Chico Buarque), em interpretação a solo.
Um album totalmente latino, cheio de charme e muito agradável de se ouvir, que demonstra o aproveitamento das aulas de canto lírico que Agnès recebeu durante vários anos no conservatório em França. Ficamos à espera do lado francês desta bela parisiense de 43 anos, apesar dela ter confessado numa entrevista que duvidava do prazer que poderia usufruir em interpretar canções na língua materna.

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

ON CONNAIT LA CHANSON

A Música do Tempo
Autor clássico do moderno cinema francês, experimentador incansável, Alain Resnais continua a interessar-se pela dimensão musical dos filmes. Desta vez, decidiu mesmo acrescentar canções à banda sonora – uma maravilha!
Face a este muito musical "É Sempre a Mesma Cantiga / On Connait La Chanson", torna-se quase inevitável recordar que, em 1991, antes de se abalançar ao fabuloso díptico que foi "Fumar / Não Fumar", Alain Resnais dirigiu uma média-metragem destinada à televisão e à edição videográfica intitulada "Gershwin", uma espécie de ensaio sobre o compositor americano, que fazia parte de uma série, a «Enciclopédia Audiovisual».
Na obra de Resnais, este ensaio tem um lugar especial, fazendo realçar aquilo que tem estado sempre presente nela, ou seja, a sua dimensão musical, que se vai tornando mais importante filme após filme, para se tornar dominante nos mais recentes. "Gershwin" poderá servir de eventual baliza nesta evolução, mas o espectador atento que tenha acompanhado a obra do cineasta observou certamente como a música, em Resnais, tem sido um elemento cada vez mais presente e dominador.
Se nos anos 50 / 60 os movimentos de câmara de "Hiroshima Meu Amor" e "O Último Ano em Marienbad" tinham uma componente musical, em filmes mais recentes como "A Vida É um Romance" e "Amor Eterno" a música adquire uma função diegética aliada à pesquisa estética que Resnais nunca abandona. Tal função era ainda mais destacada em "I Want To Go Home" (entre nós apenas visto na televisão), título imediatamente anterior a "Gershwin".
"Fumar / Não Fumar" e, agora, "É Sempre a Mesma Cantiga" surgem inteiramente sob o signo das melodias. Se não se canta no primeiro, as imagens (e a música recorrente) de transição de sequência para sequência funcionavam como melodias de passagem, de demarcação (um pouco à maneira das canções de "Ondas de Paixão", de Lars von Trier), espécie de refrões que dividem as sequências em estrofes.
O que "É Sempre a Mesma Cantiga" faz é, de certo modo, a mesma coisa, mas em vez das melodias servirem de transição estão agora incluídas na história, cumprindo uma espécie de função metonímica, colocando, de repente, na boca (ou cabeça) dos personagens uma música popular, daquelas que constituem um património pessoal (e colectivo) guardado na memória de cada um.
Em certos momentos, e em certas situações, às vezes acode-nos um acorde ou um fragmento de uma cantiga que nos ficou na memória em determinado tempo. E surge-nos como? Exactamente através da voz de que nos lembramos de ter ouvido entoá-la (daí a utilização do «playback»). É desta forma que as canções surgem em "On Connait La Chanson", pedaços e fragmentos delas, consoante a personagem e o momento em que ela se encontra, verdadeira música do tempo, tanto daquele em que decorre a acção do filme, como o do passado do personagem que a evoca.
O processo não é novo? De facto não é. E Resnais não se esquece de o referir na legenda de abertura em que dedica o filme a Dennis Potter, escritor, argumentista e realizador inglês falecido há pouco tempo. Muitas coisas se viram já na televisão criadas por Potter com este processo, de "The Singing Detective / O Detective Cantor" a " Lipstick On Your Collar / Bâton no Colarinho", passando pela obra prima que é "Pennies From Heaven / Dinheiro do Céu", que de série televisiva passou a filme dirigido por Herbert Ross. Resnais fez "On Connait La Chanson" da mesma forma, mas importa sublinhar que não se trata de uma mera cópia do modelo. Trata-se, na verdade, de uma perfeita confluência de estilos, um encontro feliz de diversas matérias e registos narrativos.
"É Sempre a mesma Cantiga" é um filme irónico, divertido, pitoresco, percorrido por uma imensa ternura pelas suas personagens, mesmo quando as mostra a luz menos favorável (veja-se a figura composta por Lambert Wilson) ou quando se dizem coisas mais amargas. Neste aspecto, destaque-se toda a fabulosa sequência final, onde a câmara passa como uma medusa (numa imagem que vai servindo de ligação entre as várias cenas) de um grupo humano para outro, de uma emoção para outra.

Vencedor de 7 Césars (Filme, Argumento, Montagem, Som, Actor Principal - André Dussolier e Actores Secundários - Jean-Pierre Bacri e Agnès Jaoui), o filme teria ainda mais 5 nomeações para os mesmos Césars (Realização, Música, Direcção Artística, Actriz Principal - Sabine Azéma, e Actor Secundário - Lambert Wilson). Além dos Césars foi o vencedor do prémio Louis Delluc e foi ainda nomeado para o Urso de Ouro do Festival de Berlim. A primeira exibição teve lugar a 12 de Novembro de 1997, em França, e a estreia em Portugal ocorreu quase um ano depois, no cinema Nimas em Lisboa, a 25 de Setembro de 1998.

Argumento: Jean-Pierre Bacri e Agnès Jaoui
Cinematografia: Renato Berta (formato 1.85:1)
Montagem: Hervé de Luze
Música Original: Bruno Fontaine
Direcção Artística: Jacques Saulnier
Cenários: Philippe Turlure
Guarda-Roupa: Jackie Budin
CAST:
Pierre Arditi .... Claude
Sabine Azéma .... Odile Lalande
Jean-Pierre Bacri .... Nicolas
André Dussollier .... Simon
Agnès Jaoui .... Camille Lalande
Lambert Wilson .... Marc Duveyrier
Jane Birkin .... Jane
etc.
Indicam-se em seguida todas as canções trauteadas durante o filme (algumas apenas por breves segundos), realçando-se as que fazem parte desta compilação:

- "J'ai deux amours"; Joséphine Baker
(G. Koger/H. Varna/V. Scatto)
- "Paroles...Paroles..."; Dalida et Alain Delon, 1972
(L. Chiosso/G. Del Re/G. Ferrio)
- "Et moi dans mon coin"; Charles Aznavour, 1993
(Charles Aznavour)
- "C'est dégoûtant mais nécessaire"; Koval
(Rodriguez/Champfleury/Bertal/Duvernois/Maubon/A. Willemetz)
- "Afin de plaire à son papa"; Simone Simon
(Champfleury/Maubon)
- "Je ne suis pas bien pourtant"; Gaston Ouvrard
(G. Konyn/V. Scotto/G. Ouvrard)
- "Je me donne"; Albert Préjean
(A. Willemetz/G. Quinson/H. Christiné)
- "J'aime les filles"; Jacques Dutronc, 1967
(J. Lanzmann/Jacques Dutronc)
- "Déjà vu"; Michel Sardou
(M. Sardou/J.P. Bourtayre/L. Bourtayre)
- "Nathalie"; Gilbert Bécaud, 1964
(Gilbert Bécaud/Pierre Delanoë)
- "Dans la vie faut pas s'en faire"; Maurice Chevalier
(A. Willemetz/G. Quinson/H. Christiné)
- "Et le reste"; Arletty et Aquistapace
(A. Hornez/M. Lattes)
- "Je m'en fous pas mal"; Edith Piaf
(Michel Emer)
- "Vertige de l'amour"; Alain Bashung, 1981
(B. Bergman/A. Bashung)
- "L'école est finie"; Sheila, 1963
(A. Salvet/J. Hourdeaux/C. Carrère)
- "Je suis malade"; Serge Lama, 1973
(Serge Lama/A. Dona)
- "Avec le temps"; Léo Férré, 1971
(Léo Férré)
- "Avoir un bon copain"; Henri Garat
(Heymann/Gilbert/Salabert (adaptateur))
- "Quoi?"; Jane Birkin, 1985
(C. De Natale/Serge Gainsbourg/G. De Angelis/M. De Angelis)
- "Résiste"; France Gall, 1981
(M. Berger)
- "Amusez-vous"; Albert Préjean
(A. Willemetz/W.R. Heymann)
- "La tête qu'il faut faire"; Henri Garat
(A. Romans)
- "Sous les jupes des filles"; Alain Souchon, 1993
(Alain Souchon)
- "La dernière séance"; Eddy Mitchell
(C. Moine/P. Papadiamandis)
- "La plus belle pour aller danser"; Sylvie Vartan, 1964
(Charles Aznavour/G. Garvarentz)
- "Je suis venu te dire que je m'en vais"; Serge Gainsbourg, 1974
(Serge Gainsbourg)
- "Je vous dérange"; Eddy Mitchell
(C. Moine/P. Papadiamandis)
- "Ça c'est vraiment toi"; Téléphone
(J.L. Auber/Téléphone)
- "Quand on perd la tête"; Dranem
(J. Boyer/R. Moretti)
- "Ma Guele"; Johnny Hallyday, 1979
(P. Bretonnière/G. Thibault)
- "Mon p'tit loup"; Pierre Perret
(Pierre Perret)
- "Le mal aimé"; Claude François, 1974
(T. Dempsey/E. Marney (adaptateur))
- "J'veux pas que tu t'en ailles"; Michel Jonasz, 1977
(Michel Jonasz)
- "Ce n'est rien"; Julien Clerc, 1971
(E. Roda-Gil/Julien Clerc)
- "Chanson populaire"; Claude François
(N. Skorsky/J.P. Boutayre)
- "Le blues du blanc"; Eddy Mitchell, 1984
(C. Moine/P. Papadiamandis)

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

"SOUNDS LIKE..."

Original Released on LP A&M 124 / SP 4124
(June 1967)
I received a call from Burt Bacharach who was in London recording the music for the movie Casino Royale. He was unhappy with the lead performance of the title song and asked if I would consider adding the Tijuana Brass sound. When he played the song over the phone and sang the melody to me with the inflections he wanted, I was struck by the unusual composition and was inspired to play it. The multitrack tapes of the recording were quickly sent, minus the lead instrument. We added two trumpets, some percussion, made a stereo mix and rushed the tapes back to London. That all happened within one week. The movie came out in 1967, and to this day people still tell me how much they liked our recording... thanks again to Burt.
My choices of songs on this album were all over the map. Here again I was choosing songs that just popped into my head, with suggestions from my partner Jerry Moss (whose ideas I always listened to), along with tunes written by our staff of writers. Another Sol Lake melody that I really liked was "Bo-Bo". The first time I heard it, it felt like travelling music to me. As a result, we played "Bo-Bo" on one of our TV specials while floating down the Mississippi River on the Delta Queen.
We performed "In A Little Spanish Town" with the Muppets and the brilliant Jim Hensen for a show we filmed in London, which also marked the public debut of Miss Piggy. It was a delightful experience. (Herb Alpert)

Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

BACK TO THE FIFTIES 9


Domingo, Fevereiro 24, 2008

"THE GOOD, THE BAD & THE UGLY" (1966)

Clássico dos clássicos dos westerns, “O Bom, O Mau e O Feio” é o terceiro capítulo da trilogia de Sergio Leone que fez de Clint Eastwood uma estrela internacional. Os dois primeiros foram “Por Um Punhado de Dólares” (1964) e “Por Alguns Dólares Mais” (1965). Mas foram precisos mais de vinte anos para que a maioria da crítica conseguisse ver o filme com olhos diferentes e lhe atribuísse a distinção de obra de arte. Lembre-se que na estreia e anos subsequentes o filme foi considerado um sub-produto do western americano, apesar da sua popularidade junto do grande público o ter mesmo convertido numa das preferências regulares das sessões dos drive-ins americanos. O que não obstou a que inclusivé tenha sido inventado o termo western-spaghetti no intuito de ridicularizar o cinema de Leone.
E no entanto, o estilo Leone fez escola: a simplicidade dos planos, a construção lenta e arrastada da história, o uso do visual em detrimento da palavra, o recurso à música (Ennio Morricone quase sempre presente) como uma componente principal de todo o processo fílmico, conferiram à técnica do realizador italiano um perfeccionismo levado por vezes a níveis insuportavelmente belos, por essa beleza ter origem a maior parte das vezes em situações de índole violenta. Há muito tempo que já ninguém filma assim. Nem nos tempos áureos do cinema os exemplos abundavam, quanto mais hoje em dia, em que a geração saída do mundo dos videoclips acabou de vez com a arte fílmica.
Tendo a guerra civil americana como pano de fundo (no que Leone contrariou a sugestão de Orson Welles para a não incluir devido à pouca rentabilidade que o tema tinha na altura nas bilheteiras), a história de “The Good, The Bad and The Ugly” gira à volta de um tesouro enterrado num cemitério cuja posse está na origem dos conflitos entre os três principais personagens do filme; conflitos esses que culminam num ajuste de contas final: uma espantosa sequência que se tornou numa das principais referências deste género de filmes.

Uma vez mais os génios de Leone e Morricone se misturaram, ao ponto de não conseguirmos dizer onde acaba a música e começa o filme e vice-versa. O tema principal evoca de imediato o nome do filme, mesmo a quem nunca o tenha visto. A cena em que Tuco corre à volta do cemitério ao som de “Ecstacy of Gold” é pura poesia. E o duelo final, a seis mãos, é orquestrado de modo sublime.
O filme foi rodado em Itália e Espanha e tirando os actores principais ninguém mais fala inglês, os restantes intervenientes expremiam-se nas línguas de origem (italiano ou espanhol), tendo por isso mesmo sido todos dobrados para a versão inglesa.
A versão original italiana (cerca de 175 minutos), estreada em 23 de Dezembro de 1966, foi reduzida em cerca de 14 minutos quando o filme foi exportado para o estrangeiro, em virtude de não terem sido dobrados em inglês. Esses 14 minutos apareceram como “extra” na primeira edição em DVD do filme.
Só recentemente, em 2003, é que a versão original foi totalmente restaurada em inglês por Martin Scorsese, Clint Eastwood e Alberto Grimaldi, tendo sido apresentada nos cinemas australianos e incluída na nova edição-dupla em DVD (2004). Essa restauração passou inclusivé pela adição de novos diálogos em inglês, feitos por Clint Eastwood e Elli Wallach, além do som, que foi convertido para 5.1
Quando o filme se estreou comercialmente na Europa, ao longo dos anos de 1967 e 1968, foi quase sempre amputado, nomeadamente nas cenas consideradas mais violentas: a República Federal Alemã e a Inglaterra foram os países em que as mãos dos censores foram mais pesadas.

Produção: Alberto Grimaldi
Realização: Sergio Leone
Argumento: Sergio Leone, Luciano Vincenzoni, Furio Scarpelli
e Agenore Incrocci, segundo história de Sergio Leone e Luciano Vincenzoni
Cinematografia: Tonino Delli Colli (formato Techniscope 2.35:1)
Música Original: Sergio Leone
Montagem: Eugenio Alabiso, Nino Beragli
e Joe D’Augustine (restauração)
Guarda-Roupa: Carlo Simi

CAST:
Clint Eastwood… Blondie
Eli Wallach… Tuco
Lee Van Cleef… Angel Eyes
Aldo Giuffrè… Capitão da União
Luigi Pistilli... Padre Pablo Ramirez
Rada Rassimov... Maria
Enzo Petito... lojista
etc.

Sábado, Fevereiro 23, 2008

A SEREIA DO MISSISSIPI (1969)

Louis: Attends! Je vais t'expliquer. Attends!
Marion: Je t'attends.
Louis: Je vais plus te parler de ta beauté.
Je peux même te dire que t'es moche, si tu veux.
Je vais essayer de te décrire comme si tu étais une photo.
Ou une peinture. Tais-toi.
Ton visage... Ton visage est une paysage.
Tu vois, je suis neutre et impartial.
Il y a les deux yeux... Deux petits lacs marrons.
Marion: Marron-verts.
Louis: Deux petits lacs marron-verts.
Ton front, c'est une plaine.
Ton nez... Une petite montagne, petite.
Ta bouche, un volcan. Ouvre un peu.
J'aime voir tes dents. Non, non, pas trop. Voilà! Comme ça.
Tu sais ce qui sort de ta bouche, quand tu es méchante?
Des crapauds! Si, si, des crapauds.
Et des colliers de perles, quand tu es gentille. Attends!
Marion: J'attends.
Louis: Parlons un peu de ton sourire, maintenant.
Pas celui-là! Ça c'est celui que tu fais dans la rue
aux commerçants.
Non. Donne-moi l'autre, le vrai. Celui du bonheur.
Voilà! Cest ça. Formidable!
Non. C'est trop. Ça me fait mal aux yeux.
Je ne peux plus te regarder. Attends!
Marion: Je t'attends.
Louis: J'ai les yeux fermés, pourtant je te vois. Je vérifie.
Si j'étais aveugle, je passerais mon temps à caresser ton visage.
Ton corps aussi.
Et si j'étais sourd... J'apprendrais à lire sur tes lèvres
avec mes doights... Comme ça.
Même si tout ça doit finir mal...
Je suis enchanté de vous connaître, madame.
Apesar de, pela primeira e última vez na sua carreira, Truffaut ter escrito sózinho o argumento e os diálogos de um filme seu, este era um filme mal-amado pelo cineasta que confessou não o gostar de ver, nem sequer dele ouvir falar. É também o primeiro filme de Truffaut com mais de duas horas de duração. É dedicado a Jean Renoir e percebe-se porquê: é uma história de amor-louco, que lembra "La Chienne", por exemplo. O filme desenrola-se como um filme de acção, sendo ao mesmo tempo um diário íntimo.

Através das convenções do grande espectáculo e do filme de vedetas Truffaut exprime os sentimentos mais pessoais, talvez mesmo os mais secretos. "La Sirène du Mississipi" é o filme de amor em que o cineasta vai mais longe na pintura de uma paixão. A travessia dos obstáculos por um amor que não recua perante nada é uma descoberta fantástica. Nunca a conquista amorosa foi descrita com uma tal determinação.

O Amor, diz-nos Truffaut, é um prazer doloroso, angustiante, uma aceitação nua e crua da pessoa amada, tal qual ela é. E Louis compreendeu isso por fim. Nessa cena sublime, no chalet na neve, só a paixão lhe resta. Foram-se as ilusões que arquitectara sobre Marion. Finalmente conhece-a, tal como ela é. Sem fingimentos. Sem máscaras. E ele, embora lúcido, está irremediavelmente apaixonado. Só lhe resta portanto abandonar-se, deixar-se destruir.

E então, todo o ódio de Marion se quebra, derretendo-se como neve ao sol. E o filme acaba na brancura da paisagem invernal que envolve o casal, silhueta cada vez mais distante a perder-se na bruma. O espaço abre-se. No fim apenas as vozes de Marion e de Louis que se ouvem numa imagem cada vez mais vazia: "Tu vas vivre... Tu vivras... Je t'aime Louis."

Marion: Bois ça, mon chéri. Ça ira mieux.
Louis: Remplis-le jusqu'en haut.
Je sais ce que tu es en train de faire.
Je l'accepte. Je regrette pas de t'avoir rencontrée.
Je regrette pas d'avoir tué un homme pour toi.
Je regrette pas t'aimer.
Je regrette rien, seulement maintenant
ça me fais très mal
dans le ventre. Ça me brûle partout.
Alors je voudrais que ça aille vite.
Très vite. Remplis-le!
Marion: Tu savais tout et tu te laissais faire!
J'ai honte! J'ai honte! J'ai honte!
Aucune femme ne mérite d'être aimée comme ça.
Je suis indigne. Mais il n'est pas trop tard.
Je vais te soigner. Tu vas vivre.
Nous allons partir loin d'ici. Tous les deux.
J'ai assez de force pour deux.
Tu vivras, tu m'entends? Tu vivras!
Personne ne te prendra à moi.
Je t'aime, Louis. Je t'aime.
Peut-être que tu ne me crois pas,
mas il y a des choses incroyables qui sont vraies.
Courage, mon amour. Nous allons partir loin d'ici,
et puis nous resterons toujours ensemble...
Si tu veux encore de moi.
Louis: Mais c'est toi que je veux. Rien que toi.
Telle que tu es, absolument. Allez, pleure pas.
C'est ton bonheur que je veux, pas tes larmes.
Marion: Je viens à l'amour, Louis.
J'ai mal, Louis. Ça fait mal.
Est-ce que c'est ça l'amour?
Est-ce que l'amour fait mal?
Louis: Oui, ça fait mal.
Numa entrevista da época, Jean-Paul Belmondo teceu as seguintes considerações sobre Truffaut: «no estúdio de La Sirène du Mississipi entendemo-nos bem logo de início, sem que tivessem sido necessárias grandes conversas, tais como o dizermos de que forma imaginávamos os personagens, etc. Há realizadores que durante oito dias explicam o papel, o personagem, a história, isto não é útil de forma nenhuma, porque a partir do momento em que o actor aceita o papel é porque o compreendeu ou sentiu, e quando o realizador lhe propõe o papel é porque pensa que é o personagem desejado, ou então entra-se no lado sórdido desta profissão: o de nos chamarem para um filme apenas porque temos um bom nome e o público vai acorrer em força...»

E Catherine Deneuve, no nº 138 da revista "Cinema 69", afirma: «A rodagem do filme foi maravilhosa... É preciso tê-la vivido ou ter assistido a ela para se poder compreender... A mesma coisa quanto às relações com Belmondo: não nos conhecíamos mas não houve embaraço nem timidez ou tensão entre nós. É preciso fazer notar que, para além de todas as suas qualidades, ele possui uma em grau supremo: a descontração; neste aspecto nunca conheci nada semelhante! Encantaria os americanos que procuram continuamente este "relax", como eles dizem».

Numa entrevista ao "Nouveau Cinémonde" podem ler-se as seguintes palavras de François Truffaut: «Por mim não tenho dúvidas, Jean-Paul Belmondo é o melhor jovem intérprete actual, o melhor e o mais completo. Belmondo pode representar com a mesma naturalidade e realidade, um aristocrata ou um homem do povo, um intelectual ou um gangster, um padre ou um palhaço. Esta disponibilidade é de tal ordem que Jean-Paul poderia mesmo representar um homem amado pelas mulheres, um sedutor, ou ao contrário, um homem rejeitado pelo elemento feminino; e estes dois papeis contraditórios representá-los-ia quer em drama, quer em comédia, conforme lhe fosse exigido».

O filme estreou-se em Paris no dia 18 de Junho de 1969, e eu vi-o pela primeira vez no Teatro Gil Vicente, em Lourenço Marques, numa matiné de domingo, em 10 de Janeiro de 1971. Lembro-me que na altura não lhe liguei muita importância mas ao longo dos anos tenho-lhe desenvolvido um afecto muito especial. Ao contrário do seu autor, penso que é um dos filmes de Truffaut que mais se foi "apurando" com o tempo, tal como uma rara colheita de vinho cada vez mais saborosa.
Produção: Claude Miller
Argumento: François Truffaut,
segundo o romance “Waltz Into Darkness”, de William Irish
Cinematografia: Denys Clerval (formato: 2.35:1)
Música Original: Antoine Duhamel
Som: René Levert
Montagem: Agnès Guillemot
Cenários: Claude Pignot

CAST:
Jean-Paul Belmondo .... Louis Mahé
Catherine Deneuve .... Julie Roussel/Marion Vergano
Nelly Borgeaud .... Berthe
Martine Ferrière .... Landlady
Marcel Berbert .... Jardine
Yves Drouhet .... Detective
Michel Bouquet .... Camolli
Roland Thénot .... Richard
etc.

AEROPORTO "GAGO COUTINHO" - LM

Por causa do texto do Hugo Santos do outro dia sobre o aeroporto da Portela apeteceu-me deixar aqui estas duas imagens do "meu" aeroporto. A de cima reporta-se a 1955 e nela pode ver-se o primeiro edifício, ainda hoje existente (julgo que lá funcionam alguns serviços administrativos).
O novo edifício, em baixo, foi inaugurado no dia 17 de Junho de 1962, data que marcou o 40º aniversário da chegada ao Rio de Janeiro do avião em que Gago Coutinho e Sacadura Cabral completaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul (hoje em dia chama-se aeroporto de Mavalane).
Lá, tal como cá, chegou a haver também a moda de se ir ver as partidas e as chegadas dos aviões ao aeroporto. E a maior parte das vezes a deslocação, feita normalmente ao domingo, incluía o almoço no belissimo restaurante que lá funcionava.

Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

CLIFF & THE SHADOWS: ANTHOLOGY 3


Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

SOMEWHERE IN TIME (1980)


Banda sonora assinada por John Barry que nos tem dado, ao longo dos anos, músicas de filmes inesquecíveis: “From Russia With Love” (1963), “Zulu” (1964), “Born Free” (1966), “The Lion In Winter” (1968), “Midnight Cowboy” (1969), “Out Of Africa” (1985), “Dances With Wolves” (1990), só para citar os mais conhecidos. Em “Somewhere In Time” transcende-se a si próprio criando um fundo musical que se identifica com o romantismo do filme, e que perdura muito para além deste. É a perfeição elevada ao domínio da magia.

- Elise McKenna: "Is it you?"
- Richard Collier: "Yes"

Este pequeno diálogo corresponde a dois olhares enfim (re)encontrados no tempo. E esses dois olhares são o cerne deste filme: uma deslocação (e não propriamente “viagem”) ao passado, para concretização de uma obsessão amorosa.
Richard Collier é um autor contemporâneo de peças de teatro que durante a estadia num hotel vê o retrato de Elise McKenna, uma actriz muito popular em 1912. A fascinação vai tomando conta do escritor, à medida que uma série de sinais parecem indiciar uma relação anterior entre os dois. Completamente absorvido pela necessidade irresistível de encontrar aquela mulher, Richard descobre finalmente uma maneira de concretizar o seu desejo: um regresso ao passado por sugestão auto-hipnótica.
Concordo plenamente: trata-se de uma idiotice superficial, sem pés nem cabeça. Mas a verdade é que tudo aquilo “funciona”! Uma vez introduzidos na trama do filme, passamos a acreditar, convictamente; e temos quase a certeza da possibilidade física de tal retorno. O filme tem realmente o poder de nos conduzir a um mundo mágico onde os maiores desejos podem sempre ser realizados.
É talvez essa a razão da grande popularidade de “Somewhere in Time” que desde a sua estreia, em 1980, tem progressivamente vindo a tornar-se na referência primeira do filme-romântico. A ponto de ter já originado um clube de fans ("INSITE - The Int'l Network of Somewhere in Time Enthusiasts") que, entre outras coisas, organiza periodicamente estadias no Grand Hotel do Michigan, onde o filme foi rodado. Vale a pena uma visita ao site, sobretudo por causa de toda a memorabilia que por lá se encontra à venda e que decerto irá fazer as delícias dos coleccionadores.
CURIOSIDADES:

Devido a direitos de autor, a versão video substituíu o "Theme from Somewhere in Time" tocado durante a projecção do genérico final pelo pianista Roger Williams por outra música.
O professor universitário chama-se "Finney", uma homenagem de Richard Matheson a Jack Finney, escritor de ficção científica.
A circulação automóvel não é permitida em Mackinac Island, Michigan, onde se situa o Grand Hotel e a maior parte dos locais de rodagem do filme. Assim, foi necessária uma licença especial da câmara da cidade para que pudessem ser usados carros durante as filmagens. Mas tal licença não abrangeu os elementos da produção (actores e técnicos) que não puderam guiar os carros fora das filmagens.

A edição especial em DVD (Região 1) para comemorar o 20º aniversário do filme foi digitalmente remasterizada para uma melhor imagem e inclui um novo documentário de 60 minutos intitulado "Back To Somewhere In Time", com entrevistas aos actores e técnicos, bem como um comentário audio do realizador e uma pequena abordagem ao clube de fans do filme.

Estreado nos EUA em 1 de Janeiro de 1980, “Somewhere In Time” teve uma nomeação para os Oscars na categoria de Guarda-Roupa”.
Argumento: Richard Matheson, segundo a sua própria novela "Bid Time Return"
Cinematografia: Isidore Mankofsky (formato: 1.85:1)
Montagem: Jeff Gourson
Música Original: John Barry
Música Adicional: Sergei Rachmaninov (de "Rhapsody on a theme by Paganini")
Direcção Artística: Seymour Klate
Cenários: Mary Ann Biddle
Guarda-Roupa: Jean-Pierre Dorléac

CAST:
Christopher Reeve .... Richard Collier
Jane Seymour .... Elise McKenna
Christopher Plummer .... William Fawcett Robinson
Teresa Wright .... Laura Roberts
Bill Erwin .... Arthur
etc.

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

BÉCAUD - OLYMPIA - 1969

Original Released on LP EMI CSDJ8 (1969)
O Daniel Bacelar sugeriu aqui ao Rato uma coletânea com alguns dos melhores temas deste grande intérprete da canção francesa, infelizmente já desaparecido (1927, Outubro 24 - 2001, Dezembro 18). Uma óptima sugestão, até porque sempre tive grande apreciação pelo Monsieur 100.000 volts como era conhecido. Tive o privilégio de assistir, no final dos anos 60, no Teatro Scala em Lourenço Marques, a um memorável recital que nunca mais esqueci. Na altura foi uma autêntica revelação, até porque os meus gostos musicais nesses tempos estavam totalmente virados para a música anglo-americana. E foi graças a este senhor que comecei a descobrir outros grandes nomes da canção francófona que a partir de então começaram a fazer parte habitual do meu mundo.
Mas até que essa coleção seja ultimada aqui vos deixo este album ao vivo de 69. Segundo a sua biografia, Bécaud subiu 33 vezes ao palco do Olympia, em Paris, sempre acompanhado do mesmo piano, que tinha a particularidade de ser ligeiramente inclinado (uma exigência do cantor para assim poder avistar todo o seu público). Provavelmente existirão também uma trintena de albuns com os registos desses espectáculos, o que torna complicado conhecê-los a todos. Já ouvi alguns ao longo dos anos, mas quando quero recordar o show a que assisti naquele fim de década, acabo por regressar sempre a este que agora quero partilhar convosco. Na minha opinião ilustra bem toda a agitação que Bécaud denotava em cima de um palco. Em pé ou sentado ao piano, não permanecia quieto um só instante, interpretando continuamente todas aquelas maravilhosas canções. Um pouco na tradição de um Brel, por exemplo. Mas esse, infelizmente, nunca tive a felicidade de o ver em cima de um palco.
Este album, que tanto quanto sei nunca apareceu editado em CD, foi ripado directamente do meu vinil original e apresenta um som excelente.

EP La Voix de son Maitre EGF633 (FR, 1963)

GILBERT BÉCAUD
"Dimanche à Orly"

Notas: Dedicado ao Hugo Santos, de quem se transcreve, com a devida vénia, o excelente texto seguinte:
Os aviões estavam guardados para os domingos de Verão, quando o futebol estava no chamado defeso e não havia jogos. A vida do meu avô, a minha também, regulava-se por haver, ou não, jogos no Estádio da Luz. Na Praça do Chile (Lisboa), apanhávamos aqueles autocarros verdes, de dois andares, para a Portela e ali ficávamos a ver os aviões. O aeroporto não era o que hoje é e, mais uns anos, pelo andar da carruagem, nada será, e o movimento de aviões era diminuto.

No edifício havia uma esplanada, com grandes chapéus-de-sol, que se via cá de baixo, do gradeamento que limitava a pista. Adivinhavam-se mulheres com vestidos vaporosos às ramagens, homens de fato e gravata, a beberem o seu chá, o seu café, a sua limonada ou o seu “whisky”, pensa ele.

Cá em baixo, famílias em grupo passeavam-se à espera de ver os aviões subir ao céu ou dele descer e havia mulheres a vender, em cestos de palha trançada, com uma asa ao meio, em cartuchinhos de papel, tremoços, amendoins, também colares de pinhões, alfarroba, paladares. Por tudo isto – e não só – haveria um dia de passar a gostar, terna e nostalgicamente, de uma canção do Gilbert Bécaud: “Dimanche à Orly”. Ainda hoje, quando a ouve, é do avô e dos domingos da Portela que se lembra, e, não raro, uma lágrima atrevida, furtiva lágrima, intenta brotar.

Pelos idos de 1969 viu um anúncio de jornal a pedir pilotos para a TAP. O anúncio dizia: “Há homens que não suportam estar colados ao chão, esses serão os nossos pilotos. Oferecemos-lhe dezenas de céus. E dezenas de terras. Oferecemos-lhe um viver cheio de à-vontade dentro da responsabilidade. Sem e com experiência de voo venha para piloto da TAP".

Aquele chamamento de quem não suporta estar colado ao chão, sem e com experiência, fez-lhe desejar ir para piloto da TAP. Os olhos azuis tinha, as habilitações académicas exigidas é que não.
Passados anos conheceu quem tivesse ido para piloto da TAP por causa da feliz frase de “marketing” daquele anúncio. Era, então, a TAP um exemplo de companhia aérea. Hoje é a javardice que se sabe.

Lembra-se também de uma velha canção de Milton Nascimento de saudação à Panair do Brasil, assim como se lembra de, na Portela, ver esses aviões da Panair. Agora chama-se Varig.

E aquela briga e aquela fome de bola
E aquele tango e aquela dama da noite
E aquela mancha e a fala oculta
Que no fundo do quintal morreu
Morri a cada dia dos dias que eu vivi
Cerveja que tomo hoje é apenas em memória
Dos tempos da Panair
A primeira Coca- Cola foi me lembro bem agora
Nas asas da Panair
A maior das maravilhas foi voando sobre o mundo
Nas asas da Panair

Não foi para piloto da TAP, mas mais tarde haveria de trabalhar numa agência de navegação e foram tempos felizes: barcos, escadas de portaló, marinheiros, gruas, cabos grossos esticados até aos cabeços da muralha, azáfama de estivadores, gruas, aquela dança serena do barco com as águas e, sempre, aquele ruído de motor que mantém o barco vivo e se transforma num qualquer apelo.
Agora teve um problema: andou às voltas e às voltas à procura do EP do Gilbert Bécaud, a cantar “Dimanche a Orly”, e não encontrou. A memória traz-lhe a brisa longínqua que, provavelmente, um dos seus primeiros amores terá ficado com o disco. Fez bem. Nunca teve grande simpatia pela propriedade privada.

A l'escalier 6, bloc 21,
J'habite un très chouette appartement
Que mon père, si tout marche bien,
Aura payé en moins de vingt ans.
On a le confort au maximum,
Un ascenseur et un' sall' de bain.
On a la télé, le téléphone
Et la vue sur Paris, au lointain.
Le dimanche, ma mère fait du rangement
Pendant que mon père, à la télé,
Regarde les sports religieusement
Et moi j'en profit' pour m'en aller.

Je m'en vais l' dimanche à Orly.
Sur l'aéroport, on voit s'envoler
Des avions pour tous les pays.
Pour l'après-midi... J'ai de quoi rêver.
Je me sens des fourmis dans les idées
Quand je rentre chez moi la nuit tombée.

A sept heures vingt-cinq, tous les matins,
Nicole et moi, on prend le métro.
Comme on dort encore, on n'se dit rien
Et chacun s'en va vers ses travaux.
Quand le soir je retrouve mon lit,
J'entends les Bœings chanter là-haut.

Je les aime, mes oiseaux de nuit,
Et j'irai les retrouver bientôt.
Oui j'irai dimanche à Orly.
Sur l'aéroport, on voit s'envoler
Des avions pour tous les pays.
Pour toute une vie... Y a de quoi rêver.
Un jour, de là-haut, le bloc vingt et un
Ne sera qu'un tout petit point.

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

BACK TO THE FIFTIES 8


Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

WELCOME TO THE CANTEEN

Original Released on LP Island ILPS 9166 (1971/09)

SOME REVIEWS:
How you react to this album will probably have more than a little to do with just how much of an original Traffic freak you are. And if you loved the Spencer Davis Group during its mid-Sixties coming-to-be, then you may also have your reservations. Oh, all the right personnel are on hand - Stevie Winwood, Jim Capaldi, Dave Mason and Chris Wood - but it's pretty hard to improve on perfection. So it sounds strangely hollow to hear these four, buttressed by the addition of Rick Grech (Family, Blind Faith), Kwaku Baah and Jim Gordon, serving up still another helping of "Medicated Goo," "40,000 Headmen," "Dear Mr. Fantasy" and "Gimme Some Lovin'." The whole thing was recorded at a live concert in Croydon and at the Oz Benefit Concert in London. Certainly the Oz fund could be considered a worthy cause, but since the profits from this record are going elsewhere, there's an element of rip-off to the proceedings. Still, if you're into nostalgia, or if you want to hear some fair to good live versions of what have already become rock classics, you might want to tune in on these tracks. But for the real thing, you still can't beat the originals!
(Circus, 1/72)
Former Traffic members get together for this live recording which shows off the tremendous instrumental and songwriting talents of the group. The band jams on a 14-minute "Dear Mr. Fantasy" and an extended version of the famous "Gimme Some Lovin'," Also included are Dave Mason songs, "Shouldn't Have Took More Than You Gave" and "Sad and Deep as You."
(Billboard, 1972)
Following the success of John Barleycorn Must Die, Traffic planned a concert album for the fall of 1970, and it got as far as a test pressing before being canceled. A recording was necessary to satisfy the terms of British label Island records' licensing deal with American label United Artists, which had provided for five albums, of which four had been delivered. With Island starting to release its own albums in the U.S., the UA contract had to be completed, and hopefully not with the potentially lucrative studio follow-up to John Barleycorn Must Die. Thus, Traffic tried again to come up with a live album by recording shows on a British tour in July 1971. Joining for six dates of the tour was twice-dismissed Traffic singer/guitarist Dave Mason, who had subsequently scored a solo success with his Alone Together album. The resulting collection, Welcome to the Canteen (which was technically credited to the seven individual musicians, not to Traffic), proved how good a contractual obligation album could be. Sound quality was not the best (and it still isn't on the 2002 remastered CD reissue, though it's better), with the vocals under-recorded and stray sounds honing in, but the playing was exemplary, and the set list was an excellent mixture of old Traffic songs and recent Mason favorites. Dear Mr. Fantasy got an extended workout, and the capper was a rearranged version of Steve Winwood's old Spencer Davis Group hit "Gimme Some Lovin'"
(All Music)

Domingo, Fevereiro 17, 2008

EP Decca 457.139 (1967)

MARIANNE FAITHFULL
"Hier Ou Demain"

CATERINA & SILVIO (1971)

Original Released on LP Decca SLK 16705-P (1971)
Latin Voices & Guitars is a surprisingly understated approach for the time, and one that mostly just has the guitars and vocals upfront in the mix - never too overproduced, and never too softened by any more contemporary instrumentation. Titles include some spanish and brasilian hit songs ("El Condor Pasa", "Maria Ninguem", "Quando Sali de Cuba", "La Playa") and also a couple of covers: "Ayer" ("Yesterday"), "La Sombra de Tu Sonrisa" ("The Shadow of Your Smile", "Hoy Por Fin Regresso a San Jose" ("Do You Know The Way To San Jose").

Sábado, Fevereiro 16, 2008

OST: "1900 - NOVECENTO"

Morricone's lush orchestral soundtrack to Bernardo Bertolucci's epic movie. A wonderful score in a classic style where, around the main theme, evolve intense orchestral moments that pass form romantic and sweet to dramatic and harsh tones. Great music for a great film!

Nous sommes nés le même jour mon frère
en héritant tous deux la même terre
pour moi ce fut la paille pour toi les draps de lin
on nous avait déjà tracé deux chemins.
>
Lequel des deux partait aux champs mon frère
pour qui les fruits et pour qui la misère
ta terre je l'ai pétrie comme on pétrit le pain
chaque sillon y est gravé dans mes mains.
>
Un jour il me fallut partir en guerre
risquant ma vie pour défendre ta terre
je suis parti esclave mais libre je reviens
sachant que chaque épi de blé m'appartient.
>
Douce plaine on vient te faire l'amour
tous ensemble en plein soleil
douce plaine dans un grand tourbillon d'abeilles
tes enfants te feront des enfants.
>
Des collines descendent les drapeaux
vers les fermes vers les maisons
le vin rouge fait éclater les vieux tonneaux
arrosant la nuit de mille chansons.
>
De quel côté veux-tu rester mon frère
veux-tu la paix ou bien veux-tu la guerre
si ta terre est ma terre si ton sang est mon sang
laisse les tiens et viens rejoindre nos rangs.
>>>
«My son will study law»
«My son will steal»
Com a duração total de cinco horas e vinte minutos, “1900” é um fresco empolgante, épico e popular, que ressuscita o romanesco e o reabilita, numa tradição que encontra somente em “E Tudo O Vento Levou” um termo de comparação possivel. Ao mesmo tempo crónica de uma província e de uma família feudal em decadência, e panorâmica histórica e crítica, “1900” reserva-se já o lugar de clássico dos anos 70.

Todo o filme, que tem por fundo as transformações históricas do século XX, gira à volta de três gerações, correspondentes ao decorrer temporal em dois estratos sociais diferentes e centralizando a acção na terra natal de Bertolucci, o aclamado realizador italiano deste filme.

Enquanto concentra a história nos bastidores, ou mais concretamente, a sugere ao referir-se aos personagens aí habitando, Bertolucci descarrega toda a sua nostalgia de encarar a vida na vivência de Olmo e Alfredo, quando eles desviam os olhos do que os rodeia, para se entreolharem nas suas personalidades.

Se são a infância e a adolescência os terrenos mais permeáveis ao eclodir dessa nostalgia, será apenas na meia-idade e na velhice que ela atingirá o seu significado maior por entretanto já ser só saudade. Isto é o que Bertolucci nos consegue admiravelmente sugerir ao fazer-nos acompanhar o crescimento de Olmo e Alfredo durante quase meio século.

Politicamente, o filme tem o mérito de não querer enganar ninguém, de não pretender fazer passar gato por lebre. O dualismo surge desde a primeira cena e Bertolucci nem por um momento se contradiz ao longo de toda a odisseia. Descreve os dois trilhos sobre os quais a humanidade assenta: a classe abastada, prepotente e exploradora e a classe pobre, oprimida e explorada. A partir deste enquadramento histórico, um pricipício intransponível: nem os de lá passam para cá, nem os de cá passam para lá.
Mas esta caricatura ideológica é também o lado menos conseguido de “1900”. Falta-lhe isso a que poderíamos chamar o “charme discreto” do cineasta em surpreender o espectador. Bertolucci decidiu impor em vez de propor. Se isso pode ser lido como sinal de honestidade, também pode ser interpretado como ingenuidade ou falta de senso.

Assim, e visto à distância de 30 anos, “1900” surge-nos agora irremediavelmente datado na mensagem política que encerra. Há muito que as sociedades e os regimes políticos deixaram de ser vistos alternadamente como antros de ódios ou espelhos de virtudes. O “bem” e o “mal” não se compadecem com demarcações básicas e existem em todas as gentes e em todos os cantos do mundo. Certamente que sempre assim foi. Só que no fim da 2ª Guerra Mundial as posições estavam extremadas e era muito fácil e práctico estabelecer a divisão entre o mundo dos “bons” e o mundo dos “maus”.

Mas Bertolucci é mesmo um realizador de grande talento e por isso fez deste filme um painel de indiscutível beleza. Lírico e épico, viscontiano, profundo e sensível, é um poema de imagens, rostos e movimentos. Tal como o realizador referiu numa entrevista, existem quatro partes distintas na composição do filme, associadas a tantas outras estações do ano: a infância dos dois protagonistas principais (Verão), o seu re-encontro já na fase adulta (Outono), o pesadelo da tirania fascista (Inverno) e por fim a Libertação, no fim da 2ª Guerra Mundial (Primavera).

Mas se Bertolucci foi o artífice principal, o outro grande autor de “1900” é sem dúvida Ennio Morricone, pela música magnífica com que revestiu o celulóide. Inspirada na cultura popular e na recolha do folclore italiano, com uma integração perfeita em todo o desenrolar da história, pode-se concluir que a música de Morricone valoriza extraordinariamente o filme de Bertolucci. Quase nos arriscamos a dizer que na sua montagem sonora, estamos perante um outro filme. E isto porque, apesar de técnica e artisticamente impecável, o filme de Bertolucci, à partida vincadamente panfletário, acaba por inexplicavelmente atingir um resultado prático de sinal contrário.

Com argumento do prório Bernardo Bertolucci, do seu irmão Giuseppe e Franco Arcalli, e uma belissima cinematografia de Vittorio Storaro, o filme brinda-nos ainda com um elenco internacional de grande excelência. Com Depardieu (Olmo) e De Niro (Alfredo), ainda nos princípios das respectivas carreiras, mas a encabeçarem composições de personagens inesquecíveis: Donald Sutherland e Laura Betti (nos pérfidos Attila e Regina), Burt Lancaster e Sterling Hayden (nos decanos Alfredo e Leo Dalco) ou ainda as sensuais Dominique Sanda e Stefania Sandrelli (Ada e Anita).

“1900” foi estreado em Itália na “Mostra de Cinema de Veneza”, em Agosto de 1976. Em Lisboa a estreia ocorreu no dia 12 de Fevereiro de 1977, em dois cinemas: São Jorge (1ª parte) e Mundial (2ª parte). Nos EUA, e para não fugir à regra, o filme foi alvo de censura e drasticamente reduzido a 4 horas, Mais uma vez os americanos não puderam assistir nas salas de cinema à versão original apresentada na maioria das cidades europeias. Apenas em 1993, quando a versão video foi editada, tiveram a possibilidade de ver a totalidade da obra. E sómente no pequeno écran, é claro.

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

The DORIS DAY Collection - Volume 1 & 2


DORIS MEETS ANDRÉ


DORIS DAY WITH ANDRÉ PRÉVIN: "DUET"
(Original Released as LP Columbia CS 8552; 1962, February 22)


ORIGINAL LINER NOTES:
Doris Day and André Prévin had never met before they began to prepare this album – they must have just missed each other countless times in many Hollywood studios. At their first meeting, Doris and André discovered many mutual interests – such as sodas, animals and ballads. In fact, that first afternoon Doris sang some of André’s songs, three of which – “Yes”, “Daydreaming” and “Control Yourself” – with lyrics by Mrs. Prévin, Dory Langdon, are heard in this album.
The Day-Prévin duo rehearsed many times after that first encounter. Then, with Red Mitchell, bass, and Frank Capp, drums, they came to Columbia’s Hollywood studios, where in a single wonderful afternoon, this album was made. No musician has had more experience in the very special held of vocal accompaniment than André Prévin, whose music for motion pictures and for records had created superb settings for singers. No singer is more persuasive in this intimate style and setting than Doris Day.
In Duet, Doris enchants and André plays with immense pleasure (Irving Townsend)

Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

THE BEAT OF THE POPS 20


Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

PLANET OF THE APES (1968)

«Oh, my God! I'm back. I'm home.
All the time, it was... We finally really did it.
You maniacs! You blew it up!
Ah, damn you! Goddamn you all to hell!»
Este filme faz-me desejar que a máquina do tempo estivesse já inventada neste início do século XXI. Infelizmente a realidade continua muito aquém da ficção e assim não posso concretizar o projecto que tinha em mente: o de pegar em alguém nascido nos últimos 30 - 40 anos e fazê-lo recuar a 1968. Durante a viagem todas as referências e memórias fílmicas seriam apagadas, de modo a que essa pessoa pudesse assistir à estreia de "Planet of the Apes" com o encantamento próprio de um estado em fase pura. Tal como eu, que tive a felicidade de viver essa experiência aos 15 anos, no próprio ano em que o filme foi estreado. É que se trata de algo irrepetível, que apesar de poder ser sempre lembrado, jamais poderá ser revivido.
Nas últimas décadas, a evolução da tecnologia foi conseguindo ultrapassar muitas barreiras; e o advento mais recente dos computadores, capazes de recriar o imaginário mais secreto, habituou-nos a poder ver tudo o que quisermos no écran. Mas em 1968 não era assim; e "Planet of the Apes" começou logo a originar problemas de produção que nunca antes tinham sido encarados. O principal foi sem dúvida o de levar as pessoas a acreditar em macacos falantes, sem se cair no ridículo. John Chambers (falecido a 25 de Agosto de 2001, antes de completar os 78 anos) seria o homem a conseguir ultrapassar tal desafio, ao elaborar as magníficas máscaras atrás das quais actores talentosos como Roddy McDowall ou Kim Hunter tornaram credíveis os evoluídos símios, transformando-os em poderosos caracteres.
Mas esta foi apenas uma parte do sucesso do filme. Um dos grandes trunfos foi sem dúvida o brilhante argumento, baseado na obra do francês Pierre Boulle (já conhecido, na altura, por ter escrito "The Bridge on the River Kwai"). Michael Wilson, escritor cujo nome esteve na lista negra e Rod Serling, conhecido pela sua criação televisiva "The Twilight Zone / A Quinta Dimensão", conseguiram criar, a partir do livro, uma imaginativa sátira sobre a vaidade e o orgulho humanos. Para além da fantasia e da aventura, o filme teve a argúcia de tocar uma corda sensível às audiências de 1968, no modo como fazia a apologia do anti-autoritarismo e do anti-militarismo. E depois, aquele final... Um dos mais inquietantes e inesquecíveis de que tenho memória.
O Homem Que Veio Do Futuro parte de Cabo Kennedy em 14 de Julho de 1972, em expedição destinada a comprovar a teoria de um cientista (no livro o Professor Antelle, no filme o Dr. Haslein), o qual afirmava ser possível viajar no espaço e acompanhar essa viagem de uma outra no tempo. Durante 11 meses os quatro tripulantes da nave espacial, em hibernação, percorrem dois mil anos (a data registada no painel de bordo, quando a nave se despenha é a de 25 de Novembro de 3978). Depois é o acordar num planeta desconhecido, perdido no tempo e no espaço, onde os aguarda uma realidade invertida, aparentemente ilógica, onde os humanos são bestas irracionais e os símios senhores dominantes e todo poderosos.
Cabe aqui referir a surpreendente força que possui a primeira meia hora de filme. Uma força assente na simplicidade, na economia de meios, mas que consegue agarrar desde logo o espectador e guiá-lo através do desconhecido e do misterioso, até ao contacto com os primeiros humanos e a entrada em cena dos macacos. Julgo até que, a par de toda a sequência final, são estes primeiros trinta minutos os responsáveis por, ao longo dos anos, ter regressado tantas vezes a este filme.
Um filme de aventuras adulto, intencional, polémico e inquietante, "Planet of the Apes" permitiu a Franklin Schaffner (falecido a 2 de Julho de 1989) sair temporariamente do anonimato (viria a ganhar um Oscar em 1970 por "Patton" e após a realização da adaptação do best seller "Papillon", voltaria a caír no esquecimento) por saber rodear-se de uma equipa de técnicos admirável, equipa essa que construiu uma verdadeira obra de arte nos anais do cinema de ficção científica.
O filme seria nomeado para 2 Oscars: Música e Guarda-Roupa, tendo apenas obtido 1 Oscar honorário pelo trabalho de maquilhagem, a cargo de John Chambers. A sua primeira exibição pública ocorreu em Nova York, a 8 de Fevereiro de 1968.
Além de poder ser visto como um filme de aventuras (e que aventuras!), "O Homem Que Veio do Futuro" necessita de reflexão. É um filme polémico sobre a animalidade do homem, que fabrica guerras e se destrói a si próprio e aos seus semelhantes só pelo puro prazer de matar. Com os anos, "Planet of the Apes" tornou-se um ícon da cultura pop dos anos 60. Deu origem a 4 sequelas (de valor e interesse sempre decrescentes) e a uma série televisiva. Finalmente, em 2001, Tim Burton, confesso fan do filme original, atreveu-se a fazer um remake (uma homenagem, como ele afirmou numa entrevista). Com toda a parafernália técnica dos dias de hoje, mas sem conseguir beliscar o estatuto classicista do original. Os tempos são outros e a inocência há muito que foi perdida.
CURIOSIDADES:
Edward G. Robinson foi escolhido de início para desempenhar o papel do Dr. Zaius, tendo chegado a filmar um teste com Charlton Heston. Aliás, já não era a primeira vez que os dois actores contracenavam juntos. Acontecera em 1956, nos "Ten Commandments" / "Os 10 Mandamentos", e mais tarde em "Soylent Green" (1973). Robinson acabou por não fazer parte do elenco devido ao seu estado de saúde: problemas cardíacos impediam que se sujeitasse diariamente aos demorados e cansativos trabalhos de maquilhagem.

Durante as pausas das filmagens os actores tendiam a agrupar-se segundo as diversas espécies símias: macacos com macacos, chimpanzés com chimpanzés, orangotangos com orangotangos. Não foi nada que tivesse sido organizado ou exigido; simplesmente esse facto curioso acontecia naturalmente.

A célebre e arrasadora cena final foi filmada na praia Zuma, situada no sul da Califórnia.
Na novela original a sociedade símia é descrita como tecnologicamente muito avançada. Contudo, as limitações do orçamento obrigaram a uma caracterização mais modesta e primitiva do modo de vida dos macacos

THOSE CLASSIC GOLDEN YEARS 36

Domingo, Fevereiro 10, 2008

THIS WEEK IN MUSIC, 40 YEARS AGO




- "Back On My Feet Again" (The Foundations)
- "Don't Stop The Carnival" (Alan Price Set)
- "Pictures Of Matchstick Men" (Status Quo)
- "We Can Fly" (The Cowsills)
- "We're A Winner" (The Impressions)
- "Words" (The Bee Gees)
- "World" (The Bee Gees)

Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

TEMPO ZIP

in "Mundo da Canção" nº 5 (Abril 1970)

CATERINA & SILVIO GO LATIN!

Original Released on LP London LL 3471 (1966)
Caterina Valente and her brother Silvio have here a decidedly Latin flair! "Go Latin!" has the pair singing and playing guitar together - often in a mode that echoes older styles from Spanish and Cuban sources, but which also comes across with a lighter, groovier feel overall - one that borrows just a bit of bossa influence to clean up the groove nicely! Directly ripped from the original vinil album - the sound is in glorious mono!

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

TRINI LOPEZ'S LATIN ALBUMS (1964 / 1966)

QUESTION:
What Could Be Better Than Trini's First "Latin Album"?
ANSWER:
The Second "Latin Album"!
One of the nice things about understanding Spanish is that you'll be able to know what Trini Lopez is singing about.
But one of the nice things about not understanding Spanish is that you won't have to bother.
Either way it's a good deal, but the bi-lingual listeners are going to have a tough time just sitting back and enjoying the sound of Trini Lopez. We're not talking about the sound of the whole musical group. We're not talking about the familiar sound of Trini's guitar and a mouthful of English lyrics. We're talking about the comparatively neglected and absolutely delightful sound of Trini's voice. Granted that the Spanish language is more euphonious than English, and more mellifluous, still there are voices and there are voices. Trini Lopez has one of the nice ones. It's happy, it's warm, it's romantic, it has a sincere lyrical line for ballads and an explosively creative approach to up-tempo tunes.
Trini Lopez has been enjoyed by the world for some time now. And if you mentioned all the qualities that have endeared him to people you'd have a list that listed enthusiasm, a beat, warm personality, a refined approach to rock and roll, a happy combination of Latin feeling and American folk music.
(exerpts from the 2nd "Latin Album" original liner notes)

LA 13ª RACCOLTA DI PAPETTI

E aqui fica mais um magnífico album de instrumentais do Fausto Papetti. É a 13ª recolha de êxitos mas aqui o nº não é azarento, antes irá fazer muitos ouvidos sortudos por terem o privilégio de escutarem este som cheio e envolvente, directamente ripado do vinil original mas com qualidade superior à de qualquer CD. A edição é portuguesa, dos Discos Orfeu (1968). Aproveitem, que som como este já não se encontra por aí.

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

JANUARY '68: THE BEST SELLING ALBUMS

Forty years ago the best selling albums in both sides of the Atlantic were:

UK
1. "Val Doonican Rocks But Gently" (Val Doonican)
2. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (Beatles)
3. "The Sound of Music" (OST)
4. "British Motown Chartbusters" (Various)
5. "Reach Out" (Four Tops)
6. "Their Satanic Majesties Request" (Rolling Stones)
7. "The Last Waltz" (Engelbert Humperdinck)
8. "Axis: Bold As Love" (Jimi Hendrix Experience)
9. "13 Smash Hits" (Tom Jones)
10. "Breakthrough (Various)

US
1. "Magical Mystery Tour" (Beatles)
2. "Their Satanic Majesties Request" (Rolling Stones)
3. "Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Lda" (Monkees)
4. "Greatest Hits" (Diana Ross & The Supremes)
5. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (Beatles)
6. "Herb Alpert's Ninth" (Herb Alpert & Tijuana Brass)
7. "Doctor Zhivago" (OST)
8. "Farewell To The First Golden Era" (Mamas & Papas)
9. "The Sound of Music" (OST)
10. "Disraeli Gears" (Cream)

Terça-feira, Fevereiro 05, 2008

THE FOUR AMIGOS

Original Released on LP Capitol T 1617 (195?)

ACROSS THE UNIVERSE

At midnight GMT (7pm EST) on the night of Monday 4th February, The Beatles' song Across the Universe will be the first ever to be beamed directly into space, NASA said. Join us by listening to the song at the same time:
Feb 4th 03.00 pm Anchorage
Feb 4th 04.00 pm Los Angeles
Feb 4th 07.00 pm New York and Montreal
Feb 4th 08.00 pm Rio de Janeiro
Feb 5th 12.00 am Liverpool & London
Feb 5th 02.00 am Baghdad
Feb 5th 03.00 am Moscow
Feb 5th 06.00 am Bangkok
Feb 5th 07.00 am Shanghai
Feb 5th 08.00 am Tokyo
Feb 5th 09.00 am Sydney
Feb 5th 12.00 am Auckland
The transmission of the song over NASA's Deep Space Network will mark the 40th anniversary of the day the band recorded the song. The song will be aimed at the North Star, Polaris, 431 light years away from Earth, and it will travel across the universe at a speed of 186,000 miles per second, NASA said.
In a message to the space agency, Sir Paul McCartney said: "Amazing! Well done, NASA! Send my love to the aliens. All the best, Paul". Yoko Ono added: "I see this as the beginning of the new age in which we will communicate with billions of planets across the universe."
Fans have been invited to participate in the event by playing the song around the world at midnight GMT on Monday night - the same time it will be transmitted by NASA. The event will also mark 50 years of NASA, 45 years of the Deep Space Network and 50 years since the founding of Explorer 1, the first US satellite. A NASA spokesman said many of the senior scientists and engineers involved in the project were among The Beatles' biggest fans. Dr Barry Geldzahler, the network's programme executive at Nasa Headquarters in Washington, said: "I've been a Beatles fan for 45 years - as long as the Deep Space Network has been around. What a joy, especially considering that Across the Universe is my personal favourite Beatles song."

John Lennon on 'Across The Universe' (1980): "The words stand, luckily, by themselves. They were purely inspirational and were given to me as boom! I don't own it, you know; it came through like that. I don't know where it came from, what meter it's in, and I've sat down and looked at it and said, "Can I write another one with this meter?" It's so interesting: (sings) "Words are flying out like endless rain into a paper cup, they slither while they pass, they slip away across the universe." Such an extraordinary meter... and I can never repeat it! It's not a matter of craftsmanship; it wrote itself. It drove me out of bed. I didn't want to write it, I was just slightly irritable and I went downstairs and I couldn't get to sleep until I put it on paper, and then I went to sleep. It's like being possessed; like a psychic or a medium."
ACROSS THE UNIVERSE
Words are flying out like endless rain into a paper cup
they slither while they pass, they slip away
across the universe.
Pools of sorrow waves of joy are drifting
thorough my open mind
possessing and caressing me.
Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world.
Images of broken light which dance before me
like a million eyes
that call me on and on
across the universe.
Thoughts meander like a restless wind
inside a letter box
they tumble blindly as they make their way
across the universe.
Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world.
Sounds of laughter shades of life are ringing
through my open ears
exciting and inviting me.
Limitless undying love which shines around me
like a million suns
it calls me on and on
across the universe.
Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world.

Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

THOSE CLASSIC GOLDEN YEARS 35


Rato has invited his good friend Luís Pinheiro de Almeida to select all the songs for this new volume of the “Golden Years” series, to which he said yes right away. The result (brilliant) is here, in this collection of 25 tracks. Luis, living by now the retirement’s achievements, was the first portuguese journalist to interview Sir Paul McCartney, back in 1987. He is, since 1966, the member nº 130.222 of London’s Official Beatles Fan Club and because his passion for Beatles’ music a true expert on the group career. He co-wrote several books, like “Beatles in Portugal” (2002, with Teresa Lage) and the “Encyclopedia of Portuguese music” (1998, with his brother, João Pinheiro de Almeida) and participated in several music magazines. Back in the eighties, he was also the man who lead the radio programs “Os Amigos de Alex” (1985-1993) and “Ob-La-Di, Ob-La-Da” (1988-1991). So, it is a real pleasure to present here this exclusive choice from someone who is also the lucky owner of a huge collection of records, mainly anglo-american music from the “Golden Years”. Who else, better than him, could participate in this Rato’s collection? Thanks, Luís, for your precious help.

O Rato convidou o seu bom amigo Luís Pinheiro de Almeida para seleccionar todas as canções deste novo volume dos “Golden Years”, ao que ele prontamente acedeu. O resultado (brilhante) aqui está, neste conjunto de 25 faixas. O Luís, a viver agora as benesses da reforma, foi o primeiro jornalista português a entrevistar Sir Paul McCartney em 1987. É, desde 1966, o sócio nº 130.222 do Clube Oficial dos Fans dos Beatles de Londres e devido à sua paixão pela música dos Beatles um verdadeiro conhecedor da carreira do grupo. Escreveu vários livros, como “Beatles em Portugal” (2002, juntamente com a Teresa Lage) e a “Enciclopédia da Música Ligeira Portuguesa” (1998, de parceria com o seu irmão, João Pinheiro de Almeida), tendo participado em diversas revistas de música. Nos anos 80 foi também o homem que coordenou os programas da rádio “Os Amigos de Alex” (1985-1993) e “Ob-La-Di, Ob-La-Da” (1988-1991). Assim, é com enorme prazer que aqui se apresenta esta seleção exclusiva de alguém que é também o feliz proprietário de uma enorme coleção de discos, sobretudo de música anglo-americana dos “Golden Years”. Quem mais e melhor do que ele poderia participar nesta coleção do Rato? Obrigado, Luís, pela tua preciosa ajuda.

Domingo, Fevereiro 03, 2008

EP Columbia SLEG 5021 (FR, 1962)

RICHARD ANTHONY
"Twist"

Sábado, Fevereiro 02, 2008

EP Columbia ESRF 1598 (FR, 1964)

SHIRLEY BASSEY
"Goldfinger"
Notas: A canção-tema do filme homónimo de James Bond. É o meu 007 preferido igualmente com o meu intérprete de eleição (Sean Connery). Na capa a actriz inglesa Shirley Eaton, à qual as enciclopédias de cinema pouco ligam mas que teve os seus minutos de fama aos 27 anos, precisamente pelo banho de ouro que levou neste filme e que lhe valeu na altura a capa da revista Life.

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

CLIFF LIVE IN TOKYO, 1967

Original Released on LP Columbia SCX 6244 (1968/05)
This is a terrific show which Cliff recorded with The Norrie Panamor Orchestra at Shibuya Public Hall in Tokyo, Japan, on 18 October 1967. The album first entered the british charts on 1 June 1968 and reached #29. Now you can enjoy this digitally remastered edition with two bonus tracks: "Bachelor Boy" and "It's All In The Game".
IT'S CLIFF AT HIS VERY BEST!