Sexta-feira, Novembro 30, 2007

MELANIE'S PHOTOGRAPH

Original Released on LP Atlantic SD 18190
(USA, 1976)
Regarded by many as Melanie's finest album, Photograph was critically acclaimed on its debut in 1976 and yet was only ever released in US, Australia and New Zealand. For reasons unknown Atlantic Records later pulled the album from distribution.
By any measure, Photograph was a rare accomplishment, a successful fusion of traditional standards of studio finesse with Melanie’s unique and uncompromising gifts. It remains unclear, then, why the album didn’t get the shot that it deserved.
Nearly 30 years later Photograph finally gets re-issued as a double-set CD including previously unreleased tracks, recorded during the Photograph sessions. Some of those tracks are alternate versions of the album originals with no much value, but Rato Records have picked the ones that really matters which are included as Bonus Tracks, in this unique CD. Hope you enjoy!
SOME NOTES:
- "Love To Live Again" is a re-working of "Love To Lose Again" from LP Madrugada.
- "Miranda" appeared on album Ballroom Streets but the version here is an earlier studio recording.
- "Ruby Tuesday" is, of course, a re-recording.
- "Unfinished Business" is perhaps better know as "Leftover Emotions", a version of which was later included on Victim Of The Moon/Crazy Love.
- "Poem" was recorded live in Holland in 2005.
The version of "Nickel Song (Music! Music! Music!)" was also included on Melanie's 1983 release Seventh Wave.

ORIGINAL ALBUM CREDITS:

All sections written by Melanie Safka except "The Letter" written by Wayne Carson Thompson; refrain From "Music! Music! Music!" written by Stephan Weiss and Bernie Baum;
"Ruby Tuesday" written my Mick Jagger and Keith Richards
"Miranda" written by Phil Ochs
"Save Me", "Groundhog Day", "Photograph" and "Friends & Co". arranged by David Campbell. All other string arrangements by Marty Paich.

Ahmet Ertegun: Creative Direction
Initial recording at Davlen Studios (Engineer: Tom Knox)
Final recording and all mixing at the Sound Factory by Peter Schekeryk and Gregory “Da Duke” Ladanyi, engineer (assisted by Dennis Kirk)
"Save Me" was recorded and mixed by Joel Soifer at Fidelity Sound Studios

Melanie, Dave Doran, Dean Parks and Louis Shelton: Guitars
David Paich and Jim Drennan: Keyboards
Jay Wolfe, Jerry Scheff and David Jackson: Bass
Jim Gordon, Jeff Porcaro and John Gueren: Drums
Milt Holland, Victor Feldman and Angelo Mauceri: Percussion
Melanie, Carole Parks, Denny Bell & some Edwin Hawkins Singers and “The Hand Made Band” (Jim Drennan, Jay Wolfe, Angelo Mauceri & Dave Doran): Backing Vocals
Art Pepper: Sax Solo on "I’m So Blue"
Richard Greene: Violin Solos
Robin Williamson: Mandolin solo on "Raindance"
David Campbell: Viola solo on "Raindance"
ROLLING STONE ORIGINAL REVIEW (1977, January 13):

At her commercial high point, Melanie's quavering, often frenzied wailings made her the darling of some listeners and an object of scorn among others. Her best qualities were detailed in her three hits: "Brand New Key" was a delightful focal point for her childish, fun-loving side; "Lay Down (Candles in the Rain)" showed her tortured, naked soul; and "Look What They Done to My Song, Ma" captured the essence of her European cabaret influences. Photograph is Melanie's first album in two years and it finds her touching all bases with enough confidence and maturity to regain her old following and surprise some of her detractors. It's an uneven record, but the bright spots shine.
The best song here is "Cyclone," a tense rocker with Melanie's raw, unbridled vocal perfectly matching the angry and confused lyrics ("Found love in the music but lost in the overtones/ Sweat on the brow, blood on the lips, love for the money but gold at the fingertips"). Also impressive are some of the love songs which are incredibly more perceptive than her previous "hold me, touch me" psychodramas. On "Save Me," she successfully confronts her own former, wide-eyed self with the changes she's gone through. There's some wasted space here, notably a rather mediocre remake of the Box Tops' "The Letter" and a dull update of her own "Nickel Song." But on the whole, Melanie seems to have made the transition from flower child to woman rather nicely, and with her talents Intact.

A Message from Melanie

ATTENTION!!!

Terça-feira, Novembro 27, 2007

POP IN GERMANY ONE

Thanks to Verdier, Il Vampiro, for sharing this collection, which Rato dedicates to his friends Petra & Eckhard Winkels

WANDERLÉA 67

Edição Original em LP CBS 37500 (1967)

Domingo, Novembro 25, 2007

CATHERINE SPAAK

Catherine Spaak (nascida a 3 de Abril de 1945) é uma actriz francesa, natural de Boulogne-Billancourt, Hauts-de-Seine (Ile-de-France). Filha do escritor e cenarista Charles Spaak (1903-1975), irmá da também actriz Agnès Spaak e neta do primeiro ministro belga Paul-Henri Spaak, passou a maior parte da sua carreira em Itália. Entre os seus filmes mais conhecidos destacam-se “Le Trou” (1960), “Il Sorpasso / A Ultrapassagem” (1962), “La Ronde” (1964), “Adulterio all’italiana” (1966) ou “Il Gatto a nove code” (1971).
Foi também apresentadora de diversos programas televisivos da RAI e publicou alguns livros em italiano. No campo musical era considerada uma espécie de Françoise Hardy italianizada, tendo gravado estes dois primeiros albuns em 1963 e 1964.


WANDERLÉA EM TEMPO DE AMOR

Edição Original em LP CBS 37411 (1965)

Sábado, Novembro 24, 2007

A TERNURA DE WANDERLÉA

Edição original em LP CBS 37459 (1966)
Nasceu em Governador Valadares (MG) e aos 9 anos mudou-se para o Rio de Janeiro com a família, para se tornar a mais importante cantora da Jovem Guarda. Já aos 10 anos ganhava concursos em rádios e lançou em 1962 o primeiro compacto. No ano seguinte sai o primeiro LP, "Wanderléa", pela CBS. Na gravadora conhece Roberto e Erasmo Carlos, com quem passa a apresentar em 1965 o programa Jovem Guarda pela TV Record de São Paulo. Transmitido nas tarde de domingo, o programa teve uma das maiores audiências da época e lançou diversos artistas. Wanderléa e Celly Campelo foram as primeiras estrelas do rock brasileiro. Participou de filmes ao lado de Roberto Carlos e, depois de terminada a Jovem Guarda, continuou a carreira como cantora pop.

Vickie e o Conj. Académico João Paulo, 1970


Obrigado ao fantomas pelo envio das capas destes dois singles

Quinta-feira, Novembro 22, 2007

EP Parlophone SMMT-1 (UK, 1967)

"Roll up - Roll up for the Mystery Tour..."
Editado no Reino Unido no dia 8 de Dezembro de 1967, este duplo EP constituía a banda sonora do filme televisivo homónimo, o primeiro grande flop comercial em que o grupo se viu envolvido. De tal forma que após a estreia na televisão britânica nas vésperas de Natal (ainda a preto e branco) foi cancelada a programada apresentação na ABC TV americana, devido a todo o negativismo com que o filme foi acolhido, quer pela crítica quer pelo público.
Já no aspecto musical a história foi completamente diferente, continuando os Beatles a liderarem o mercado como habitualmente. Na América, devido à pouca popularidade do formato EP, foi editado pela Capitol (a 27 de Novembro) um album com os 6 temas no lado 1 e uma recolha dos singles editados nesse mesmo ano de 67 no lado 2 (este album viria a ser nomeado para um Grammy em 1968 e apenas seria editado em Inglaterra – e no resto do mundo - em 19 de Novembro de 1976).
A música incluída neste duplo EP é um dos melhores exemplos da faceta psicadélica dos Beatles, sobretudo pela presença dos temas “Blue Jay Way”, escrita por Harrison («Derek Taylor got held up. He rang to say he'd be late. I told him on the phone that the house was in Blue Jay Way. And he said he could find it okay... he could always ask a cop. So I waited and waited. I felt really nackered with the flight, but I didn't want to go to sleep until he came. There was a fog and it got later and later. To keep myself awake, just as a joke to pass the time while I waited, I wrote a song about waiting for him in Blue Jay Way.»), “Flying” (um instrumental assinado pelos 4 Beatles e feito apenas pela necessidade de se criar um ambiente musical para uma determinada cena do filme) e acima de tudo por causa de “I Am the Walrus”, um original de John Lennon que a compôs durante diversas viagens de LSD («The first line was written on one acid trip one weekend. The second line was written on the next acid trip the next weekend, and it was filled in after I met Yoko. I was writing obscurely, a la Dylan, in those days. It's from 'The Walrus and the Carpenter.' 'Alice in Wonderland.' To me, it was a beautiful poem.») A versão stereo contida no EP é ligeiramente diferente das aparecidas quer no single quer no album americano (a introdução do orgão é repetida por 6 vezes em vez das 4 nas outras versões. No single americano – Capitol 2056 – ouvem-se ainda uns beats extras entre “I’m crying” e “Yellow matter custard”)
Os outros três temas são todos, na sua essência, da autoria de McCartney, embora Lennon tenha ainda dado umas dicas para a letra de “Magical Mystery Tour”.
Este duplo EP contém ainda 28 páginas no interior, com as letras das canções, fotografias e a história do filme contada em banda desenhada.

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

EP Columbia SLEM 2347 (PT, 1968)

CLIFF RICHARD
"Non Dimenticare Chi Ti Ama"

EP Marfer M.P.M. 634 (SP, 1966)

MARIO Y SUS DIAMANTES
"Fabuloso"
Notas: Conjunto peruano formado por José Urdaneta e outros músicos oriundos da Venezuela

Terça-feira, Novembro 20, 2007

EP Vogue EPL 8612 (FR, 1968)

ANTOINE
"La Tramontane"
Notas: A par de “Les Élucubrations d’Antoine” este “La Tramontane” (5º lugar no Festival de San Remo de 1968, ganho por Sergio Endrigo e Roberto Carlos com "Canzone Per Te") é o tema mais emblemático deste cantor francês nascido em Madagascar, a 4 de Junho de 1944, e conhecido na época pelo uso de camisas às flores e o seu antagonismo para com Johnny Hallyday que em 1966 o tentou ridicularizar na canção “Cheveux Longs et Idées Courtes”

EP Vogue EPL 7850 (FR, 1961)

ROBERTO SETO ET SES RUMBEROS
"Canto de la Madre"

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

SCALEXTRIC

Lembram-se das velhinhas pistas Scalextric do início dos anos 60? Este ano comemora-se o meio século de existência (as primeiras apareceram precisamente em 1957) nos diversos clubes de aficionados espalhados um pouco por todo o mundo. Sucessora das marcas Scalex e Startex (que eram modelos ainda movidos a corda) a Scalextric depressa se tornou líder mundial na fabricação de pistas e carros eléctricos à escla 1/32, pertencendo hoje ao grupo inglês Hornby Hobbies Lda.
Até há algum tempo atrás estava plenamente convencido que as vulgarmente chamadas “pistas de carrinhos eléctricos” faziam já parte do passado. Redondo engano! Parece que a mania está mais activa do que nunca. A única diferença diz respeito apenas à idade dos praticantes: hoje os grandes entusiastas são na sua grande maioria adultos de barba rija, de quarenta e tal anos para cima, que gastam infidáveis horas na preparação das pequenas máquinas. E, apesar do seu ar mais ou menos bonacheirão, mais ou menos descontraído, levam as corridas (e campeonatos!) mesmo muito a sério!

Mas voltando atrás, ao boom inicial da marca nos primeiros anos de implantação, recordo com alguma nostalgia o tempo em que também eu era um praticante furioso da modalidade. Pois se até os próprios Beatles eram grandes entusiastas (principalmente John Lennon) nós jovens, que os seguíamos em tudo e mais alguma coisa, não poderíamos ter ficado imunes a toda aquela loucura. Por ter tido um pai muito compincha (que felizmente ainda conservo) fui um pouco mais felizardo do que a grande maioria dos meus amigos e a minha Scalextric tornou-se lendária na vizinhança: montada num estrado enorme de madeira (mandado fazer sob medida e que ocupava toda a cave da casa onde então morava) o seu traçado serpenteava por vales e montanhas de gesso e esferovite convenientemente pintados em cores diversas de onde o verde obviamente se destacava. E havia lagos, e árvores, e casas, e pessoas e animais, como se de um gigantesco presépio se tratasse.
A zona das boxes, então, era um verdadeiro espectáculo, na transposição fiel da realidade para a escala 1/32, onde não faltavam os atarefados mecânicos, as bancadas repletas de espectadores ou os parques de estacionamento ocupados pelos automóveis da época (aqueles perfeitos Dinky Toys, lembram-se?). Não esquecendo ainda o comboio eléctrico que circulava a toda a volta da pista entre estações ferroviárias, e também a iluminação produzida por dezenas de pequenos candeeiros estrategicamente colocados. Um autêntico mundo de cor e magia do qual naqueles meados dos anos 60 eu era o mago supremo. Hoje conservo ainda os meus campionissimos carros, na esperança de os poder voltar a ver um dia ganhar mais uma corrida. A propósito, conhecem alguma pista pública por aí?

Domingo, Novembro 18, 2007

THE SONGS THAT CHANGED THE WORLD

And the series go on...

Sábado, Novembro 17, 2007

EP Decca SPEP 1407 (PT, 1972)

GRUPO BAYETTE
"Georgina"
Notas: Segundo os comentários do meu amigo bissaide parece não existir muita a certeza de ter sido este grupo o primeiro a interpretar este tema de origem moçambicana. Eu, sinceramente, só o conheço cantado por eles e também pelo Duo Ouro Negro. A apresentação do disco de estreia (e pelos vistos o único) dos Bayette ficou a cargo do João Maria Tudella, como se pode lêr na contra-capa.

EP Alvorada MEP 60303 (PT, 1960)

JOÃO MARIA TUDELLA
"Lourenço Marques Gosto De Ti"
Notas: Quatro composições que Tudella gravou com o Conjunto moçambicano Zeca da Silva, todas elas com música assinada pelo grande Artur Fonseca, o criador de "Uma Casa Portuguesa", e todas elas resultantes do amor dedicado a uma cidade que ainda existe nas memórias de quantos a viveram. Quanto às letras, Vasco Matos Sequeira e Reinaldo Ferreira asinam dois temas ("Lourenço Marques Gosto De Ti" e "Piri-Piri"), tendo os restantes as assinaturas de Eduardo Paixão ("Bayete") e Guilherme José de Melo ("Mulata")

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

LET'S HAVE AN INSTRUMENTAL PARTY!


Quinta-feira, Novembro 15, 2007

AI VALENTIM, VALENTIM...

Pelos vistos a Valentim de Carvalho sempre foi exímia em conseguir lucros fáceis à custa de terceiros. Ainda relativamente ao EP “A Mãe” do Conjunto de Oliveira Muge soubemos que a 2ª edição do disco (a que tem os bailarinos na capa) foi feita pela VC em Portugal, dois anos depois de o original ter sido editado em Moçambique, e sem qualquer autorização ou concordância tácita dos elementos do grupo. Alteraram a capa a seu belo prazer e lançaram o disco como de uma novidade se tratasse. Resultado: venderam milhares de discos e não pagaram um único escudo de “direitos de autor” aos legítimos proprietários. Uma vigarice de todo o tamanho que os elementos do grupo ainda pensaram levar a tribunal. Só que os custos exigidos pelo advogado eram de tal modo incomportáveis na altura que acabaram por desistir.

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

EP Parlophone LMEP 1331 (PT, 1966)

CONJUNTO DE OLIVEIRA MUGE
"A Mãe"
Notas: Grupo moçambicano constituído por José Muge (piano), António Policarpo (vocalista e viola-solo), José Violante (viola baixo) e António Muge (bateria).
No início da década de sessenta José Muge e António Policarpo formam o primeiro alinhamento dos “Oliveira Muge” ainda em Portugal, nos arredores de Ovar, onde dão muitos espectáculos ao vivo. Chegam a ir aos estúdios da TV no Monte da Virgem, em Gaia, onde actuam num programa em directo.
Pouco depois, em 1962, partem para Moçambique onde em Vila Pery constituem a formação definitiva do grupo. Começam a ser conhecidos, sobretudo por abrilhantarem bailes em diversas localidades, incluindo a capital, Lourenço Marques.
Um convite da televisão rodesiana leva-os a percorrer 400 kms para se apresentarem em directo no “Seven Three Oh Show”, um programa transmitido em horário nobre. Os convites sucedem-se a um ritmo regular e o Conjunto de Oliveira Muge começa a afirmar-se cada vez mais, quer em actuações em hoteis e clubes da cidade de Salisbury quer também na própria televisão rodesiana (convém aqui recordar que nesses tempos não havia televisão em Moçambique, por tal nunca ter sido autorizado pelo Governo Central).
Em 1965, após uma temporada no “Grill Room” do New Stanley Hotel, em Nairobi, no Quénia (país onde também actuam na televisão local) regressam a Vila Pery. Nesse ano têm o primeiro contacto com um estúdio de gravação: na cidade da Beira, nos estúdios da Rádio Aero Club, gravam os primeiros temas, ainda num estilo muito amador e em condições um tanto ou quanto precárias. O resultado não é muito animador mas serve-lhes de experiência para se poderem lançar a vôos mais altos.
Essa oportunidade surge logo a seguir, em 1966. Destino; África do Sul. Nos estúdios da EMI, em Johannesburg, gravam o tão ansiado disco de estreia profissional, onde incluem o tema original “A Mãe”, da autoria de António Policarpo. O êxito supera as expectativas mais optimistas ultrapassando todas as fronteiras.
No ano seguinte voltam a Johannesburg para a gravação de mais dois EP’s e em 1968 é o regresso a Portugal, às origens, acedendo a diversos convites para actuarem em bailes do Carnaval de Ovar. De regresso a Moçambique e embora não tenham gravado mais qualquer disco, o Conjunto de Oliveira Muge mantém-se no activo até 1974, retornando ao continente após o 25 de Abril.
(Um especial agradecimento ao António Policarpo que teve a gentileza de me enviar estes apontamentos sobre o grupo. E também ao fantomas, o meu companheiro bloggista que me remeteu as capas sob as quais este disco foi editado originalmente em Moçambique, e que se expõem de seguida)

Terça-feira, Novembro 13, 2007

"Descubro em ti a dor que eu próprio invento"

AMOR COMBATE
Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto.
Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico.
Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.
Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:
O nosso amor é sangue. É seiva.
É sol. É Primavera.
Amor intenso. amor imenso. amor instante.
O nosso amor é uma arma. É uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.
O nosso amor é pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.
Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.
Assim se lê o poema que baptiza este disco, um dos mais límpidos trabalhos de Carlos Mendes. O dicionário fornece os seguintes significados para essa palavra: claro, transparente, puro, sem mancha, qualquer deles adaptando-se na perfeição ao pulsar geral do album. Ao poema-título Joaquim Pessoa adicionou mais dez e Carlos Mendes teve o bom gosto de os musicar a todos. Nascia assim, entre os meses de Fevereiro e Agosto de 1976, o 1º album publicado pela “Toma Lá Disco”, a primeira editora discográfica independente que existiu em Portugal, fundada nesse mesmo ano por Carlos Mendes, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo, entre outros autores. Não admira portanto que estes últimos tenham colaborado também na gravação deste disco, quer adicionando as suas vozes aos coros quer participando como músicos de estúdio. Aliás, é impressionante a quantidade (e qualidade) dos músicos presentes (ver ficha técnica) o que não impediu o som final de apresentar as tais características simples e cristalinas a que se fez referência.

“Amor Combate” seria premiado pela crítica como o Melhor Disco do Ano. Não obstante essa distinção, em mais de 30 anos decorridos, não houve sequer uma alminha responsável por uma qualquer editora que o tentasse re-editar em CD. É assim o país em que vivemos. Aproveitem pois mais esta iniciativa da Rato Records que aqui vos disponibiliza uma pérola rara da música portuguesa e com uma qualidade sonora capaz de fazer corar de vergonha muitas gravações recentes que por aí abundam; por certo de êxito fácil e garantido mas provavelmente sem a importância nuclear deste registo.
Deixo-vos agora com a minha canção preferida:
CANÇÃO AMARGA
Descubro em ti a dor que eu próprio invento.
A fúria que me bate. A força que me chama.
Amor agreste. A rosa sobre a lama.
Chuva de Abril. Anel de sofrimento.
Descubro em mim o porto aonde moras.
E a tua ausência na cama onde me deito.
Invento a flor mais triste quando choras
e a noite principia no meu leito.
Tu és o linho o beijo a despedida
és o instante a hora a vida inteira
és o meu lume o fogo da lareira
a fúria da razão mesmo vencida.
Eu sou o vinho a raiva ou a loucura
já nem sou nada sou tudo o que quiseres.
Mas onde estás? Onde é que eu te procuro?
Pássaro triste irei onde estiveres.
Ai meu amor meu canto de amargura
morres em mim tão perto de viveres!

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Há muito, muito tempo, eras tu uma criança...

Tudo começa sempre ao som dos “Vinte Anos” dos Greenwindows e segue por ali fora, num ressurgimento de situações mais ou menos conhecidas, mais ou menos já vividas pela geração que hoje tem mais de 50 anos. Pela parte que me toca todos os domingos à noite tenho bilhete pré-comprado num compartimento da máquina do tempo que a RTP1 colocou à nossa disposição.
Falo, como decerto já adivinharam, da série “Conta-me Como Foi” que em boa hora a televisão pública foi adaptar da equivalente espanhola, “Cuentame Como Pasó”. Retratando o dia-a-dia de uma família lisboeta dos finais da década de sessenta (a acção inicia-se em Março de 68 com a chegada de um moderno televisor a casa da família Lopes, já equipado com UHF para poder apanhar o futuro programa 2) a série acompanha as peripécias dessa famíla típica da média-baixa burguesia, recordadas em voz-off pelo Carlos, que na altura em que a acção decorre era o benjamim do clã com 8 anos. Fica assim definido o canal de retorno ao passado: é através da família Lopes que se assiste ao desfile de acontecimentos marcantes na vida política, social, cultural e desportiva em Portugal e no mundo daquela época, enquadrados com a trama de cada episódio.

“Conta-me como foi” retrata, acima de tudo, o modo de viver e pensar de uma sociedade ainda muito fechada sobre si, com todos os tabus característicos da época e a gradual embora desconfiada abertura a novas mentalidades. Tudo feito sem espírito saudosista, sem abordagens moralistas ou juízos de valor.
A moda, bem documentada no vestuário e nos cortes de cabelo (a Isabel, filha mais velha do casal, trabalha num cabeleireiro), as músicas da época que se escutavam livremente na rádio ou aquelas outras que apenas se ouviam, quantas vezes a medo, em pequenos gira-discos, os programas televisivos com todas aquelas caras bem conhecidas, entre apresentadores e vedetas, as publicações periódicas (o Camões tem um quiosque na rua sempre atulhado com as últimas novidades), produtos diversos sempre muito bem publicitados, tudo tem a sua participação muito especial num tempo em que o computador ou o telemóvel não passavam de meras alucinações futuristas.

Na origem do grande sucesso da série está um exaustivo trabalho de reconstrução que ficou a cargo da jornalista e historiadora Helena Matos. «É um trabalho de minúcia, que chega até ao pormenor das moedas usadas na época. Não é um trabalho perfeito, porque senão desistia logo. O desafio está na máxima proximidade à realidade da altura», referiu ela numa entrevista ao DN, Um projecto que implicou uma detalhada pesquisa, iniciada um ano antes do começo das filmagens «e que ainda continua, uma vez que tenho que acompanhar a evolução da série e dos anos», acrescenta a historiadora.
Nesse processo de reconstrução Helena Matos não confiou na memória dos que viveram naquela altura. «Podia ser muito traiçoeiro, pelo que investi em documentos da época», Para isso, recorreu a várias revistas e jornais, bem como boletins municipais (nomeadamente para saber os preços a afixar em diversos artigos expostos).

A indumentária das personagens está de igual modo preparada ao pormenor: «Recorremos às roupas antigas que os nossos pais e avós guardaram», diz Rita Brütt, que interpreta na série a filha Isabel. Os restantes fatos foram feitos pelas costureiras Catarina Santos e Lurdes Gonçalves ou comprados em lojas retro, como a Outra Face da Lua (Bairro Alto).
O mobiliário da casa dos Lopes foi encontrado em «empresas que recebem móveis antigos que as pessoas já não querem e que nós aproveitamos ou reciclamos», explicou Marta Gil, chefe de produção de estúdio.Os exteriores foram outra dificuldade, em especial a praia e a piscina, que, naturalmente, mudaram desde 68: «Tivemos que contornar os planos das câmaras de filmar e fazê-los muito fechados», acrescenta.

No final de cada episódio, e ainda sob o efeito emocional que cada um deles sempre me provoca, nunca sei o que mais admirar: se a reconstituição cenográfica e decorativa (sempre atenta aos mais ínfimos pormenores), se o argumento (muito bem enquadrado com as realidades da época), ou se o notável desempenho dos actores (todos eles muito bem dirigidos e completamente identificados com as diversas personagens), não sómente dos principais (e Miguel Guilherme e Rita Blanco arriscam-se a ter aqui os papeis da vida deles) como de todo o restante elenco.
Realizada por Fernando Ávila e Pedro Miguel, e adaptada pelo grupo Cartas de Amor, a série da RTP conta com uma equipa de 80 profissionais e tem prevista a apresentação de um primeiro naipe de 26 episódios (espero que não fique por aí, até porque em Espanha a série se mantém no ar há sete anos consecutivos, sempre com o mesmo grande sucesso), dezasseis dos quais já foram para o ar (a estreia ocorreu no dia 22 de Abril deste ano, estando o último episódio previsto para 20 de Janeiro de 2008).

O formato de "Cuéntame cómo pasó" foi adaptado noutros países, como a Itália e o México, para além de Portugal, devido às semelhanças históricas das décadas de 60 e 70. De tal forma que os criadores da série original querem juntar elencos dos vários países para um episódio especial. Essa ideia era uma forma de, «junto do público, fazermos perceber que "Cuéntame cómo pasó" fala de um tema universal e mostrar que existiam realidades semelhantes à nossa, partilhadas por pessoas que estavam em partes distintas do globo.»
Deixo aqui um alerta e um voto para que brevemente possamos aceder em DVD a todos os episódios desta série magnífica e sem paralelo na história televisiva portuguesa. Desse modo teremos então a possibilidade de os arquivar junto a enciclopédias e outros livros de consulta, para que se um dia mais tarde nos pedirem “Conta-me como foi…” podermos rapidamente dar a resposta.

EP Columbia SLEM 2084 (PT, 1961)

OS CONCHAS
"Greenfields"
Notas: Terceiro EP do duo formado por José Manuel Concha e Fernando Gaspar (falecido a 10 de Fevereiro de 1998), os "Everly Brothers" portugueses dos inícios da década de sessenta (1960-1962), período durante o qual editaram 7 discos, todos neste formato, sendo o primeiro de parceria com Daniel Bacelar (mostrado no início desta exposição). Saíria ainda um último disco em 1964 mas sob o nome de José Manuel Concha e Os Conchas.

Domingo, Novembro 11, 2007

EP Polydor 20 403 EPH (DE, 1958)

WERNER MÜLLER UND SEIN ORCHESTER
"Teenager - Party"
Notas: Que capa deliciosa, bem evocativa dos anos cinquenta. Confesso que foi apenas por causa dela que comprei o disquinho - ainda não ouvi sequer, vai esta semana direitinho pr'á digitalização. De qualquer modo Werner Müller é garantia de um bom som. Logo se ouvirá...

EP Alvorada H 11093 (PT, 1965)

KARINA
"Boneca De Cera, Boneca De Som"
Notas: Quatro temas cantados em português por Karina, nome artístico de Maria Isabel Bárbara Llaudés Santiago, nascida em Jaén, Espanha, em 1943. Iniciou-se na carreira musical ainda muito jovem, tendo recebido aulas de piano e guitarra enquanto estudava. Estreou-se na Televisão em 1963, no programa “Escala en Hi-Fi”, pela mão de Fernando Garcia de la Vega, que a lançaria mais tarde também no cinema.

EP Alvorada 60-1008 (PT, 1968)

ANTÓNIO CALVÁRIO
"O Nosso Mundo"
Notas: Este é dedicado ao João Carlos Calixto, por conter a "Balada Para D. Inês" do Cid. Ainda nem sequer ouvi esta versão, pelo que não posso opinar.
Mais um conterrâneo aqui do Rato (nasceu em Lourenço Marques a 17 de Outubro de 1938), António Calvário foi o Rei incontestado da música ligeira portuguesa nos meados da década de 60, tendo sido eleito pelos fãs em 1962, 64, 65, 66 e ainda em 1972. As raparigas desse tempo como que transferiram para solo lusitano o que se passava lá fora com os Beatles, tornando-se o nosso António no alvo preferido das histerias da moda (chegou a ter camisas e casacos rasgados em muitas actuações). No auge da popularidade Calvário chega a cobrar 20 contos por actuação, uma fortuna para a época. Com o primeiro tema deste EP (“O Nosso Mundo”) concorre em 1968 ao “Grande Prémio da Canção”, depois de quatro anos antes ter vencido o primeiro Festival com “Oração”. Em representação de Portugal na Eurovisão, que esse ano teve lugar na Dinamarca, a canção não consegue qualquer voto mas a sua actuação consegue ter as atenções de um grupo de manifestantes que invade o palco com cartazes onde se podia ler “Abaixo Franco e Salazar”.
Tendo participado também em diversos filmes (os mais populares foram ao lado da também idolatrada Madalena Iglésias), resolve em 1969 custear do seu próprio bolso a produção do filme “O Diabo Era o Outro”, orçamentado inicialmente em 900 contos. Mas o “diabo” não era nada “o outro” e esteve mesmo presente na rodagem do filme, a qual acabou por elevar aquele valor a 3200 contos. Endividado em 2000 contos António Calvário pagou tudo, até ao último tostão, actuando em todo o lado onde pudesse ganhar dinheiro, tendo inclusivamente cantado em circos como atracção. «Meteram-me numa alhada, mas não se ficaram a rir de mim», afirmaria mais tarde numa entrevista a A Capital, em 1984.
(notas retiradas da “Enciclopédia da Música Ligeira Portuguesa”, de Luís e João Pinheiro de Almeida)

EP Parlophone JGEP 12011 (PT, 1968)

NATÉRCIA BARRETO
"Encore!"
Notas: Esta belissima fotografia, da autoria de Fernando Galama, serviu para a apresentação do segundo EP da Techa, que a veio consagrar definitivamente junto do seu público moçambicano. Mais tarde este mesmo disco viria a ser editado em Portugal, mas com uma capa diferente: sem grande interesse, diga-se, uma vez que foi usada uma ampliação da mesma fotografia usada no disco de estreia (já aqui mostrado)

Sábado, Novembro 10, 2007

EP Orfeu (PT, 1964)

THE NIGHT STARS
"Night Stars Twist"
Notas: Esta é uma daquelas imagens que fazem parte integrante da minha vida, pois foi tirada na ex-libris de Lourenço Marques, a Praça Mouzinho de Albuquerque: a estátua, a catedral e o prédio Funchal. Mais uma vez obrigado ao Carlos Santos pelo envio destas capas (só estranho a contra-capa não ter a referência impressa)

NIGHT STARS AO VIVO!

Com a exposição de mais estes dois Eps (o primeiro, de 1964 e o último, de 1966) completa-se a trilogia dos Night Stars. Aqui deixo também um documento fotográfico: o grupo a abrilhantar uma tarde dançante (era assim que se costumava chamar) junto à piscina dos “Velhos Colonos”, uma associação recreativa de Lourenço Marques.

Trata-se de uma das primeiras formações dos Night Stars, pois pode ver-se ainda o Carlos Alberto na bateria (mais tarde substituído pelo Dino Antunes) e o Guta no baixo, que daria lugar logo a seguir ao Noel Cardoso. Esta fotografia deve ter sido portanto tirada durante o ano de 1964 (obrigado ao Carlos Santos por me ter enviado esta preciosidade).
Entretanto, se alguém tiver mais informação sobre o grupo e a quiser compartilhar é só enviar-me um email que eu terei muito gosto em divulgar.

EP Orfeu ATEP 6193 (PT, 1966)

THE NIGHT STARS
"Eu Sei"

HELP ESPECIAL!

A minha caixinha especial já chegou! E, ao contrário do Luís Tita (que me confessou particularmente ainda não ter tido a coragem de a abrir - «é único!») fui muito mais audaz e ontem à noite só deu Beatles cá em casa.
O que mais me impressionou foi a qualidade da imagem e do som. Numa classificação de 0 a 5 dou-lhe... 6! Quanto ao filmezinho, claro, é aquela idiotice pegada que todos conhecem, e de que até o próprio grupo se envergonhava na época. A muitos anos-luz do "A Hard Day's Night", o 1º filme dos Beatles em glorioso preto-e-branco e, esse sim, uma referência básica quer do universo beatleliano quer do documentário musical. Qualquer jovenzinho de hoje que queira conhecer aquela época deverá colocar o DVD das "Cabeleiras do Após-Calipso" e não este "Socorro!"

Mais apelativos são os bónus que vêm no 2º DVD. Sem grandes pretensões fornecem no entanto pistas bem interessantes sobre a rodagem do filme e outras curiosidades associadas. Esta edição especial é no entanto demasiado cara para o que contém a mais da edição normal, pelo que só deverá ser adquirida pelos maluquinhos dos Beatles, como por exemplo aqui o vosso amigo Rato sempre foi. Destaco a coleção de 8 lobby-cards, de que aqui vos deixo dois exemplos.

RICHARD ANTHONY: "En Écoutant La Pluie"

La carrière de Richard bat son plein en 1963, avec la sortie de son troisième 30 cm. Deux titres importants sortent du lot: "Donne-moi ma chance" et "En écoutant la pluie", adaptation du titre des Cascades "Rhythm of the rain", succès également repris par Sylvie Vartan. Mais Richard ne se contente jamais de deux succès dans ses albums; les hits" Ruby Baby", adaptation du titre "Ruby Baby" de Dion et "Après toi", adaptation de "The next time" de Cliff Richard, sont également présents dans ce 30cm. Des chansons comme "Le ranch de mes rêves" , connu également en France grace a la version de Sheila, adaptation du hit americain "Hotel Happiness" de Brook Benton, ou "Sur Ie toit" ("Up on the roof"), succès international lancé aux USA par Les Drifters, ne font qu'agrémenter la valeur de ce nouvel album. Sur les 12 titres ori­ginaux, deux seulement sont des créations françaises, les dix autres étant des adaptations anglo-saxonnes; iI est vrai qu'a cette époque, c'etait la grande mode. Comme les CD prècedents, les bonus nous offrent Ie complement indispensable, en commençant par 6 ver­sions et titres inédits dont "Donne-moi ma chance" en anglais et en italien, "J'entends siffler Ie train" en italien et la la version de "Loop de loop" popularisée en France par les Fantômes et Frank Alamo. Cette année 1963 ne sera pas, pour Richard, aussi forte que la précédente en nombre de hits, mais elle n'en est que plus intéressante. Richard se place toujours comme un des meilleurs adaptateurs, ayant un des plus beaux timbres de voix des annees 60, toujours intact aujourd'hui. (Martial Martinay)

Este é o meu album preferido do Richard Anthony, um intérprete por vezes muito criticado mas que sem dúvida alguma era um dos grandes expoentes da geração dos Salut Les Copains. As 8 faixas bónus enriqucem sobremaneira o produto original, muito por culpa dos 6 inéditos anexados, com versões curiosissimas em inglês, italiano e alemão. O pop do iníco da década de sessenta em toda a sua glória!

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

EP Marfer MEL 2-184 (SP, 1970)

CARLA MARIA
"Zum Zum Zum"

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

EP Parlophone LMEP 1231 (PT, 1966)

MAFALDA SOFIA
"Teach Me Tiger"
Notas 1: Segundo o referido pelo João Carlos Calixto (obrigado “Bissaide”!) no blog do Luís Tita, esta formosa intérprete nacional é natural de Olhão, Algarve, onde nasceu em 1943. Conhecem-se-lhe meia dúzia de Eps (este é o primeiro), gravados entre os anos de 1966 e 1971. O tema "Oh!", de 1967, foi até à presente data o único editado em CD, na coletânea "Portugal DeLuxe, Vol. 1: Um Cocktail Estereofónico". Também pode ser encontrado no 2º Volume dos "Caloiros da Canção", aqui na Rato Records.
Notas 2: O Luís Tita colocou no seu excelente blog uma belissima capa da revista Rádio e Televisão (Agosto 67), com a sexy Mafalda na capa. Ah, e teve a amabilidade de nos revelar o conteúdo do artigo. Aqui fica:
«A revista diz que tinha 24 anos em 67, logo terá hoje 64 anos. Na altura era casada, mas não tinha filhos. Cantou profissionalmente desde 1965. Casou por procuração aos 18 (marido em África), nasceu em Olhão. Esteve em Lourenço Marques durante 3 anos. Adora a praia e detesta o campo. Aprecia Cary Grant, Frank Sinatra, Shirley Maclaine, Sofia Loren. Gravou dois discos para a VC e - na altura - ia para a Belter. Diz que não consegue fazer carreira em Portugal, porque cultiva o género "sexy". "Sexy"? "Sim, passo as mãos pelo cabelo... e canto. Assim...". "Gosto de algumas interpretações dos Beatles, as menos barulhentas". O maior sonho dela era ter um prédio de rendimento.»

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

EP Decca DFE 8590 (UK, 1964)

THE ROLLING STONES
"Five By Five"
Notas: «This EP is full of vitality, appeal, and authority», tal era o comentário do New Musical Express no dia em que este EP foi editado. E continuava: « Two tracks are great to dance to – “Empty Heart” with a great vocal and a loose yet repetitive sound; and a rocker, Chuck Berry’s “Around and Around”. Two great R&B ballads are put over with great abandon by Mick Jagger – Fats Domino’s “If You Need Me” (into which Andrew Oldham has introduced echo effects) and “Confessin’ The Blues”, with harmonicas singing, too, above the beat-steady backing. The bonus track (a “thank you”) is “2120 Michigan Avenue”, an all-instrumental, repetitive, over-and-over, solid beater with guitars, drum and organ swinging it out until the harmonicas come in to relieve it for a bit. Road manager Ian Stewart became a sixth Stone for the occasion – he’s very good on both piano and organ.»
Gravado no dia 11 de Junho nos estúdios Chess em Chicago, tal facto como que inspirou os Stones a soltaram cá para fora todas as raízes dos blues que neles existiam, no que foram ajudados pelo engenheiro de som Ron Malo, responsável pelo belissimo som do disco.
Editado a 14 de Agosto (uma sexta-feira) no Reino Unido, o EP manter-se-ia 47 semanas seguidas nas tabelas inglesas, 21 das quais em 1º lugar. Registaria ainda uma segunda entrada, de mais 7 semanas, em Agosto de 1965.

BREVES APONTAMENTOS SOBRE O EP

O EP (Extended-Play), também conhecido por mini-LP de 7”, tem exactamente a idade aqui do Rato, pois foi uma invenção americana de 1953, concebida inicialmente com a intenção de recuperar dinheiro em edições de albuns não muito rentáveis. Percebe-se a jogada: um album que tinha por norma 12 faixas era dividido em três partes, cada parte com 4 faixas cada, e a venda, mesmo por preços inferiores (mas que no total ultrapassava o preço global do album original) conseguiria reaver pelo menos parte do dinheiro perdido.
Só que... por qualquer razão alheia ao marketing ianque, a coisa não pegou nos Estados Unidos e rapidamente se tornou num formato obsoleto. Não foi isso no entanto o que aconteceu na Europa, com a França e a Inglaterra à cabeça. Tendo os primeiros exemplares aparecido logo em 1954, o novo formato começou a desenvolver-se progressivamente e no fim da década de 50 a sua popularidade era já notória. As vendas não paravam também de subir e em 12 de Março de 1960 o jornal de música britânico Record Retailer & Music Industry News inaugurava as tabelas semanais de vendas do novo formato (nessas primeiras semanas os lugares cimeiros foram ocupados, primeiro pelo Cliff, com o EP “Expresso Bongo”, e depois pelo Elvis, com o EP “Strictly Elvis”), as quais se manteriam até Dezembro de 1967, altura em que o Long Playing destronara já por completo os dois formatos de 45 rotações, o single e o EP. Estes formatos ainda chegariam aos nossos dias, experimentando diversas inovações, mas o seu tempo áureo acabou efectivamente nos meados da década de 60. No entanto, o seu valor como objecto coleccionável nunca esmoreceu, sendo hoje mais apetecível do que nunca, sobretudo nos escalões etários mais velhos, no fim de contas os teenagers da geração de 60 que nesses anos os utilizavam no dia-a-dia quer para audição em gira-discos mais ou menos portáteis quer mesmo para decoração de paredes, juntamente com outros artefactos da época. Ah, e sempre constituiram óptimos presentes para amigos e familiares...
Alguns dados das tabelas inglesas:

- Eps com mais semanas nos charts:
1. “The Shadows To The Fore” (Shadows) ex-acquo com
“Nina & Frederik nº 1” (Nina & Frederik) – 115 semanas
3. “South Pacific” (OST) – 87 semanas
4. “The Shadows nº 1” (Shadows) – 86 semanas
5. “Hits” (Beach Boys) – 84 semanas


- Eps com mais semanas em 1º lugar:
1. “Hits” (Beach Boys) – 34 semanas
2. “The Shadows To The Fore” (Shadows) – 28 semanas
3. “Four Top Hits” (Four Tops) – 22 semanas
4. “Twist and Shout” (Beatles) ex-acquo com
5. “Five By Five” (Rolling Stones) – 21 semanas


- Intérpretes com mais semanas nos charts:
1. Shadows – 481 semanas
2. Cliff Richard e Os Shadows – 413 semanas
3. Beatles – 405 semanas
4. Elvis Presley – 383 semanas
5. Seekers – 170 semanas


- Intérpretes com mais semanas em 1º lugar:
1. Shadows (incluindo 10 semanas com o Clif Richard) – 69 semanas
2. Beatles – 63 semanas
3. Elvis Presley – 45 semanas
4. Rolling Stones – 37 semanas
5. Beach Boys – 34 semanas

Terça-feira, Novembro 06, 2007

EP Parlophone GEP 8882 (UK, 1963)

THE BEATLES
"Twist and Shout"
Notas: Este foi o primeiro EP lançado pelos fab-four, em 20 de Julho de 1963, e de longe aquele que maior sucesso alcançou: um total de 57 semanas de permanência nas tabelas de venda do Reino Unido (21 delas em 1º lugar), de onde apenas saíu mais de um ano depois, a 15 de Agosto de 1964. Ainda voltaria a entrar por duas vezes nas tabelas com mais um total de 7 semanas.
Constituído por 4 temas retirados do album de estreia do grupo, “Please Please Me” (editado quatro meses antes, a 22 de Março), dois deles são covers e os outros dois da autoria de John Lennon.
“There’s a Place”, segundo o próprio Lennon, foi uma tentativa de aproximação ao som Motown, que naqueles inícios da década de sessenta colocava Detroit no centro das atenções, influenciando dezenas de novos grupos, incluindo também os próprios Beatles, então ainda a darem os primeiros passos na sua lendária carreira.
“Do You Want To Know A Secret” foi composto por John no apartamento onde recentemente iniciara a vida conjugal com Cynthia Powell e que tinha sido disponibilizado ao jovem casal por Brian Epstein como prenda de casamento. Na verdade, o apartamento (localizado no centro de Londres, um rés-do-chão do nº 36 de Faulkner Street) era apenas alugado por Brian que o mantinha há já algum tempo para discretos encontros homossexuais. Tema inspirado numa canção incluída no filme de animação da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões” e que a mãe de John lhe costumava cantarolar em criança, reflecte bem o seu estado amoroso no início da vida de casado. John chegou a gravar uma maqueta da canção com guitarra acústica, mas depois foi George Harrison que a interpretou para o album de estreia. Na altura foi também gravada pelo grupo Billy J. Kramer and The Dakotas, chegando esse single ao topo das tabelas inglesas. Ainda hoje é um dos temas meus preferidos de toda a primeira fase dos Beatles.
Das duas covers o destaque vai inteirinho para “Twist and Shout”, que dá o nome ao EP e que é, sem qualquer dúvida, a definitiva interpretação do célebre tema de Phil Medley e Bert Russell, gravado originalmente pelo grupo americano The Isley Brothers, em 1962. Julgo que terá sido uma das canções que tanto Lennon como McCartney gostariam de ter escrito. De acordo com a lenda, quando os Beatles já tinham concluido as gravações para o album, no dia 11 de Fevereiro, ainda restava um pouco de tempo livre no estúdio e decidiram gravar o tema numa só take. Deve ter sido uma das situações em que a garganta de John Lennon mais se ressentiu em toda a sua vida.

EP Philips 431 922 PE (PT, 1969)

FILARMÓNICA FRAUDE
"Flor de Laranjeira"

A FILARMÓNICA FRAUDE

Verdadeiro grupo-de-culto português, que começou por tocar (corria o Verão de 68) nas instalações da Torralta, no Alvor, onde foram descobertos pelo saudoso jornalista Fernando Assis Pacheco e pelo Duo Ouro Negro. O primeiro escreveu uma crónica elogiosa no Diário de Lisboa intitulada “Uma Fraude nas noites brancas do Alvor”. Os segundos levaram uma cassete com alguns temas à editora Valentim de Carvalho que lhes faculta a gravação de algumas maquetas das canções. No entanto, o grupo acaba por assinar com a Philips, onde para além do album “Epopeia” grava ainda dois extended-play, em 1969. O 1º EP, que é a estreia do grupo, contém temas originais e adaptações da música popular portuguesa, da autoria de António Pinho e Luís Linhares: "Flor de Laranjeira", "Problema da Escolha", "O Menino" e "O Milhões". A crítica social, a mordacidade e ironia nas letras e a música com influências da pop inglesa (sobretudo Beatles), são imagens de marca que ficam desde logo a assinalar o conjunto. O êxito é imediato e a crítica é unânime em elogiar o trabalho, classificando a Filarmónica Fraude como um «caso muito sério» e «uma pedrada no charco e no marasmo da música portuguesa» ou ainda, como se escrevia na contracapa do disco, «a certeza que a única fraude que existe pertence ao nome do conjunto». Pouco tempo depois, um 2º EP vinha confirmar tudo quanto se dissera a respeito do primeiro: "Canção de Embalar", "Orícia", "Animais de Estimação" e "Devedor à Terra" cimentam a reputação que o grupo granjeara logo no início da carreira. E finalmente o album "Epopeia", cujo alvo principal eram os infortúnios dos descobrimentos e que por isso mesmo trouxe alguns dissabores junto aos censores da época; a começar logo pela capa (uma autêntica originalidade na altura, pelo feitio e modo de abrir), da autoria de Lídia Martinez, que a assinou «Lídia 69». A maqueta da capa não passou na censura, que obrigou ao corte da indicação do ano. A Filarmónica Fraude acaba nos finais de 1970 (sem editarem mais nenhum disco), dando depois lugar à Banda do Casaco.

EP Philips 431 926 PE (PT, 1969)

FILARMÓNICA FRAUDE
"Animais de Estimação"

EP Decca PEP 1193 (UK, 1967)

EDUARDO NASCIMENTO
"O Vento Mudou"
Notas: Eduardo Nascimento nasceu em Angola em 1944 e foi líder do conjunto Os Rocks que participou num dos concursos de ié-ié realizados no Teatro Monumental. Seguiu-se a profissionalização, com grande sucesso, tendo sido a atração principal de várias casas nocturnas de Lisboa e também o Casino do Estoril, para onde foram após a inauguração das novas instalações-
Em 1967, Eduardo Nascimento venceu o Festival RTP da Canção com "O vento Mudou". A canção foi representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção, realizado em Viena ficando em 12º lugar entre 17 países, ex-aequo com a Finlândia. A vencedora foi Sandie Shaw com o tema "Puppet on a String".
Foi o primeiro negro a pisar os palcos da Eurovisão. Dizia-se que foi Salazar quem quis que Eduardo Nascimento representasse Portugal na Eurovisão para provar que não era racista.
Os Rocks gravaram um single com os temas "Wish I May" e "The Pied Piper" e o EP "Don´t Blame Me".
O cantor continuou a actuar com Os Rocks até 1969, altura em que voltou para Angola e abandonou a carreira musical.
(obrigado ao Luís Tita pela disponibilidade das imagens)

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

EP Pacific 90.262 B - Méd (FR, 1961)


THE ALLEGRETTES
"Witch Doctor"

EP A Voz Do Dono 7 LEG 6051 (PT, 1967)

SALVATORE ADAMO
"Canta Em Português"

Domingo, Novembro 04, 2007

EP Reprise R 30013 (UK, 1963)

TRINI LOPEZ
"Trini Lopez At P.J.'S"

EP Carioca CAR 19009 (PT, 1958)

DUO GUARUJÁ
"Cabecinha no Ombro"
Notas: Enquanto Nilsen Ribeiro cantava em festas, Armando Castro era crooner do conjunto Vagalumes do Luar, grupo da Rádio Record. Pouco depois de se conhecerem, casaram, e resolveram formar o DUO GUARUJÁ. Fizeram grande sucesso já no primeiro single, de 1955, que trazia a guarânia “Filha de Maria” e a italiana “Non Dimenticare”. Em 1958, gravaram dois dos seus temas mais conhecidos de sempre: “Cucurrucucu Paloma” e este “Cabecinha no Ombro” (um clássico absoluto assinado por Paulo Borges), vencendo todos os prémios musicais da época. A carreira durou até meados da década de 60, reunindo um total de mais de 50 discos, entre singles e LPs.
Se alguém tiver disponível alguma coletânea do duo em boas condições e for amigo do Rato, pode enviar...

Sábado, Novembro 03, 2007

THE BEAT OF THE POPS 19


EP Orfeu ATEP 6159 (PT, 1966)

CONJUNTO NIGHT STARS
"Babichon"
Notas: Um dos melhores conjuntos moçambicanos dos anos 60. Tanto quanto sei foram editados três EP’s (este é o segundo). Além dos discos era um dos conjuntos mais requisitados de Lourenço Marques: lembro-me de os ver actuar sobretudo no Dragão de Ouro (pavilhão da praia que hoje já não existe) e também no Hotel Polana. Ah, e muito importante, foram eles, juntamente com os AEC 68, que abrilhantaram o meu baile de finalistas do Liceu Salazar, em 13 de Dezembro de 1969.
A fama deles chegou até cá, à então chamada metrópole, tendo participado em 1966 no “Grande Concurso Yé-Yé”, realizado no saudoso Teatro Monumental, em Lisboa: ficaram em 3º lugar. O concurso teve como vencedores Os Claves e Os Rocks (conjunto angolano) ficaram em segundo lugar. Nas posições seguintes ficaram Os Jets (4º), Os Ekos (5º), Os Chinchilas (6º), Os Espaciais (7º) e os Tubarões (8º).
Depois de várias tentativas consegui finalmente contactar o Dino Antunes (baterista no 2º e 3º EPs) que é meu primo em 2º grau, e com quem não falava há já muitos anos. Ele ainda andou pelo mundo da música durante bastante tempo (tocava piano nos sítios possíveis) mas agora dedicou-se aos negócios e deixou a música de vez.

EP A Voz Do Dono 7 LEG 6019 (PT, 1962)


TONY RENIS
"Quando, Quando, Quando"

EP PARLOPHONE JGEP 12010 (PT, 1968)

NATÉRCIA BARRETO
"Canta Para Si!"

Sexta-feira, Novembro 02, 2007

EP Columbia SLEM 2214 (PT, 1965)

CONJUNTO ACADÉMICO JOÃO PAULO
"+ 1 Disco = 4 Sucessos"

EP Columbia SLEM 2062 (PT, 1960)


OS CONCHAS / DANIEL BACELAR
"Caloiros da Canção nº 1"
Notas: Esta coleção-galeria (atenção gulosos de mp3, não há links, é só mostruário, os temas irão aparecendo nas diversas coletâneas do Rato) poderia ter sido iniciada com outro disco qualquer. Mas escolhi este por esta capa pertencer por direito próprio ao meu imaginário infantil, em virtude de ter sido um dos meus primeiros EPs portugueses (e que estava continuamente a rodar num daqueles gira-discos portáteis que pareciam umas maletas quando se fechavam). Tinha 7 anos quando ele foi editado e fez as minhas delícias durante toda a minha meninice. Ainda não havia Beatles, apenas o Elvis (de que nessa altura não era grande apreciador), o Cliff e os Seus Shadows (destes sim, fui fanzerrimo logo desde o início), o Bobby Darin também. Mas no campo nacional Os Conchas e o Daniel Bacelar eram sem qualquer dúvida os meus eleitos. Quem me diria a mim que tantos anos depois viria a conhecer e ser amigo do Daniel...

"Mundo Moderno"

O Blog “Reis do YéYé”, do meu amigo fantomas, tem-nos deliciado com imagens nostálgicas dos anos sessenta, quer através de capas de EP’s quer por intermédio de ilustrações de capas de revistas da época.
Por ele influenciado, aqui o Rato vai começar também a disponibilizar, para todos os interessados, as capas e contra-capas desses suportes musicais (também conhecidos por extended-plays) que fizeram (e fazem!) as delícias de coleccionador deste vosso amigo. Confesso que muitas vezes nem me lembra de ouvir o disquinho, o que me seduz mesmo são as imagens que lá vêm impressas ou o grafismo e comentários / apresentações inseridos nas contra-capas. Como muitas dessas capas se têm deteriorado com os anos, tenho por hábito retocá-las um pouco no Photoshop, pelo menos para lhes retirar o “lixo” mais incomodativo. Estou convencido de que haverá por aí pelo menos umas dezenas de maluquinhos dos discos como eu que darão o devido valor a esta iniciativa os quais, mesmo sem terem os originais, ficarão felizes de possuir umas réplicas em condições (eu pelo menos tenho-me sentido assim com as belas capas do fantomas. Só é pena de ele se esquecer muitas vezes das contra-capas).
Voltando um pouco atrás, ao “Mundo Moderno”, julgo que o melhor dessa revistinha seriam também as capas. Isso por causa de alguns exemplares que me passaram pela mão. Vocês dirão de vossa justiça, mas sinceramente parece-me algo muito ligeirinho, incorrecto e de má qualidade (quer artigos quer imagens). Um exemplo bem elucidativo é o nº 41, de 1 de Agosto de 1970, que ainda por cima tem o Engelbert Humperdinck na capa e não uma daquelas meninas jeitosas a que o fantomas nos tem habituado. Neste número é apresentado aos leitores um “novo” grupo de rock. Atentem, por favor, na prosa:

« Um novo grupo. Um novo nome. Desta feita, são os “The Doors”, cujo chefe, o cantor Jim Morrison, conquistou grande número de admiradoras logo que começou a cantar a canção-título do seu primeiro disco “Hello, I Love You”».
Sinceramente, não consigo compreender como se conseguia escrever tanto disparate num único parágrafo. Lembre-se que se estava em Agosto de 1970, a banda já estava perto do fim (Morrison nem chegaria a viver mais um ano completo, pois seria encontrado morto pela namorada Pamela a 3 de Julho de 1971, num quarto de hotel em Paris), tendo sido criada 5 (cinco!) anos antes em Los Angeles e publicado 6 albuns a partir de 1967 (o sétimo e último album oficial, “L.A. Woman”, seria editado em Abril de 1971), antes que os tipos do “Mundo Moderno” dessem pela sua existência. E depois “Hello, I Love You” não é canção-título de coisa nenhuma, já que o album onde se encontrava inserida (que era o terceiro, e não o primeiro) se chamava, como toda a gente sabe, “Waiting For The Sun”.
E para terminar com chave de ouro (ou pau-preto se preferirem) deixo-vos com um rectângulozinho inserido na página 3 desse mesmo número 41. Exemplar:

A MORTE DE SALAZAR
«Apesar de ter a última folha a entrar na máquina, “Mundo Moderno” não podia deixar de referir a morte do Presidente Salazar a quem o País e sobretudo a Juventude muito ficaram a dever.
Portugal está mais pobre. A nossa Juventude perdeu um amigo.
Que descanse em paz!»

THOSE CLASSIC GOLDEN YEARS 31


WALLPAPER: "Beatles Through the Years"

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